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Menina e Moça: Ler, comer e beber na nova livraria-bar do Porto

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Aberta há dois anos no Cais do Sodré, em Lisboa, a Menina e Moça rumou ao Jardim da Cordoaria, no Porto. Nesta nova livraria-bar pode folhear e comprar livros, tomar um copo e petiscar

Tal como em Lisboa, também no Porto a Menina e Moça combina uma livraria com um bar de bebidas e petiscos

Tal como em Lisboa, também no Porto a Menina e Moça combina uma livraria com um bar de bebidas e petiscos

A abertura de uma livraria é sempre uma boa notícia. E mais ainda quando, aos livros, se acrescenta um punhado de boas ideias. A Menina e Moça do Porto, que acaba de abrir junto ao Jardim da Cordoaria, em frente ao coreto, dá continuidade ao projeto que Cristina Ovídio tem, desde 2017, no Cais de Sodré, em Lisboa. “O Porto surgiu por acaso. A cidade inspira-me mais literariamente do que Lisboa”, confessa a responsável, que trabalhou como editora na Clube de Autor. Filha do físico e cientista António Manuel Baptista, admite ter tido o privilégio de ter vivido rodeada de livros.

Tal como em Lisboa, também a livraria-bar do Porto tem muito que ver com o seu mundo: “É uma espécie de prolongamento da minha casa, com o piano e muitas fotografias.” No teto, saltam à vista as ilustrações coloridas de Mariana Rio (em Lisboa, o ilustrador foi João Fazenda). Está lá o gato de Manuel António Pina, Ana Plácido a chorar a um canto, a antiga Cadeia da Relação onde Camilo Castelo Branco esteve preso. A arte, nesta livraria com arquitetura de Henrique Vaz Pato, marido de Cristina, continua nas casas de banho, com intervenções de António Vaz Pato e Carlos Santos – a das mulheres homenageia Sophia e Agustina, a dos homens lembra as gaivotas que se escutam na cidade.

No Porto, coube a Mariana Rio a ilustração do teto com desenhos a remeterem para os contos de Manuel António Pina ou de Camilo Castelo Branco

No Porto, coube a Mariana Rio a ilustração do teto com desenhos a remeterem para os contos de Manuel António Pina ou de Camilo Castelo Branco

Lucilia Monteiro

Mas espreitemos os livros. À entrada, moram os premiados Pão de Açúcar, de Afonso Reis Cabral (Prémio José Saramago 2019) e A Angústia do Guarda-Redes Antes do Penalty, de Peter Handke (Nobel da Literatura 2019). As estantes vão de Fernando Pessoa a José Saramago (em português e em inglês), de Valter Hugo Mãe a Richard Zimler, de Jorge Luis Borges a Italo Calvino… Há lugar privilegiado para a poesia (Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Manuel António Pina), além de um outro destinado à ilustração infantil. “Apostamos em livros com os quais nos identificamos”, ressalva Cristina Ovídio.

Nesta Menina e Moça (o nome vem do romance homónimo de Bernardim Ribeiro) podem folhear-se livros ao mesmo tempo que se conforta o estômago. Na carta, pensada para todas as horas, há cocktails (o Menina e Moça leva vinho do Porto, bagaço e lima, €6), tostas, tábuas de queijos, entre outras sugestões. O programa cultural ainda está a ser definido, mas há de vir a ter jam sessions, aos domingos, um clube de leitura, horas do conto, leituras encenadas e um quiz cultural. É ou não é uma boa notícia?

Fotografias de autores e artistas do Porto, destacam-se numa das paredes da livraria

Fotografias de autores e artistas do Porto, destacam-se numa das paredes da livraria

Menina e Moça do Porto > Campo Mártires da Pátria, 44, Porto > T. 22 243 6855 > seg-dom 12h-2h