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Crónica por Lisboa: Uma caça ao tesouro

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Por um bocadinho, não me importo de fingir que tenho outra vez 10 anos – e só não escrevo 5, porque alguns dos talismãs da Igreja de Santa Maria de Belém foram estrategicamente deixados à altura do peito de um adulto. Gosto de pensar que eles estão mais ou menos no lugar do coração, até me pareceu senti-lo bater mais depressa quando andava à sua procura.

Mas deixemo-nos de suspenses tão dispensáveis como seria um mapa. A mim bastou-me ler Lisboa Desconhecida & Insólita (histórias que provavelmente nunca ouviu), de Anísio Franco, diretor-adjunto do Museu Nacional de Arte Antiga, para ir direta à igreja do Mosteiro dos Jerónimos e parar junto aos túmulos de Vasco da Gama e de Luís de Camões, pronta a sorrir.

Vale a pena aproveitar para rever os dois túmulos, claro, o primeiro no lado norte do subcoro e o segundo no lado sul, ambos esculpidos por Costa Mota tio, mas é na base das colunas suas vizinhas que estão os segredos. Passarinhos, mãos com feixes de trigo ou maçarocas, uma bolota, um peixe, um boi (de pernas para o ar), os Lusíadas desenrolados (talvez), uma cruz da Ordem de Cristo, a cabeça de um bebé e até um homem nu… Que delícia é descobrir estes motivos decorativos em alto-relevo polidos, diz o historiador, pelo passar das mãos de quem ali ia pedir uma graça.