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Quatro perguntas a Eduarda Abbondanza sobre a mudança de casa da Modalisboa

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Depois de quatro edições no Pavilhão Carlos Lopes, a ModaLisboa muda-se para o Campo de Santa Clara. “Temos sempre vontade de abrir a cidade aos lisboetas, ao mundo”, diz Eduarda Abbondanza, diretora da ModaLisboa

Luís Barra

A zona do Campo de Santa Clara, onde acontece a Feira da Ladra, é palco, a partir desta quinta, 10, da 53ª edição da ModaLisboa. A semana de moda lisboeta tem, este ano, o seu epicentro nas Antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército, onde vão decorrer praticamente todas as apresentações das coleções primavera-verão 2020 de marcas e designers de moda nacionais. É também neste edifício que vão estar as exposições de fotografia e de ilustração da Workstation, a loja temporária Wonder Room e o Check Point, com oficinas e debates – tudo de entrada livre. O Palácio Sinel de Cordes, sede da Trienal de Arquitectura, acolhe as apresentações das coleções de jovens criadores (António Castro, Archie Dickens, Cristina Real, Federico Protto, Opiar e Rita Afonso), e no Mercado de Santa Clara decorrem as Fast Talks, nesta edição sobre como pode “o setor da Moda ser responsável por uma mudança de comportamento que acompanhe as urgentes necessidades ambientais do planeta”.

Quatro perguntas a Eduarda Abbondanza, diretora da Modalisboa, sobre a mudança para aquela colina da cidade.

O que levou à escolha das Antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército?

Já conheço o edifício há muitos anos. Participei, em parceria, na criação dos uniformes para os Oficiais Femininos do Exército Português. Custava-me saber que aquele lugar existia e que os lisboetas não o conheciam. Aliado a isso, há sempre a vontade de descobrir espaços diferentes, porque a moda vive de mudança, de sairmos da nossa zona de conforto e de dinamizarmos a nossa forma de pensar e operar. Temos sempre vontade de abrir a cidade aos lisboetas, ao mundo. O facto de a ModaLisboa ser coorganizada pela Câmara Municipal de Lisboa também nos transmite essa missão.

Mas não ficam apenas pelas Antigas Oficinas…

Estarmos no Campo de Santa Clara fez-nos também olhar à volta e perceber em que outros espaços poderíamos atuar. Por norma, a quinta-feira do nosso calendário é sempre off location e fomos à procura de equipamentos próximos que pudessem albergar a Workstation Designers e as Fast Talks. Já tínhamos uma ótima relação com a Trienal de Arquitectura de Lisboa, com quem trabalhámos no Centro Cultural de Belém, e de quem ficámos próximos. Por isso, o Palácio Sinel de Cordes fazia todo o sentido. Daí ao Mercado de Santa Clara foi um passo.

Qual foi o maior desafio?

Antes de mais, é preciso dizer que os desafios entusiasmam. Olhar para este novo espaço e imaginá-lo como uma semana de moda foi tão desafiante quanto entusiasmante. O Exército Português teve uma enorme abertura desde o início e acompanhou-nos nesta aventura sem pestanejar. Quisemos sempre respeitar a alma do espaço, porque o nosso objetivo é proteger o património que faz parte da nossa cultura e dá-lo a conhecer.

O que destaca nesta 53ª edição da Modalisboa?

A dimensão e a tipologia do edifício permitiram-nos inovar e apostar numa maior programação de ações abertas ao público. Convidamos a cidade a juntar-se a nós todos os dias, de 10 a 13 de outubro. Vamos ter apresentações de jovens designers, conversas, workshops, exposições, uma pop up store com programação, uma área de street food, momentos musicais e performativos de entrada livre. Também o Núcleo Museológico das Antigas Oficinas, o Museu Militar e a Sala dos Gessos vão ter entrada livre durante os quatro dias. Queremos chegar a mais públicos, mas fazemo-lo sempre de forma concertada, em várias plataformas tocadas pela moda, e sempre com o objetivo de nos mantermos um evento que enriquece a cidade.

53ª ModaLisboa > Antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército, Palácio Sinel de Cordes, Mercado de Santa Clara e outros locais de Lisboa > 10-13 out, qui-dom