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Crónica por Lisboa: Uma casa colorida

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Não será pelas cores que os clientes enchem a Drogaria de São Domingos, com entrada pela Rua D. Antão de Almada, 4A. E muito provavelmente também não será a última vez que voltamos ao livro Lisboa, Cidade AfricanaPercursos e Lugares de Memória da Presença Africana. Séculos XV-XXI, de Isabel Castro Henriques e de Pedro Pereira Leite, para lembrar como o Largo de São Domingos é um ponto de encontro de homens e mulheres de África, desde os finais de Quatrocentos.

Para quem só lá vai por curiosidade, a maior graça da Drogaria de São Domingos são as prateleiras cheias até acima de milhares de artigos, sobretudo capilares. A todos os que desesperam com cabelo rebelde, aconselha-se o sr. Hélder. Este homem sabe tudo sobre os produtos criados a pensar na beleza de origem africana; e é ele quem se encarrega de colorir a loja. “Se vejo um buraquinho, começo logo a pensar no que vou lá pôr.”

Nesta drogaria que está na mesma família há três gerações e tem uma irmã na Rua dos Fanqueiros, também se vendem os químicos do costume, mas são os champôs, os condicionadores e as máscaras que mais saem. Consta que são tão bons como os amendoins e os cajus torrados em Moçambique que podemos encontrar à venda no largo.