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Crónica por Lisboa: No jardim das Marias

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Este é um daqueles pequenos-grandes-segredos que não se querem secretos, mas acabam por ir crescendo despercebidos a quem não mora perto nem calha passar por ali. Fica nas traseiras da Estrada de Benfica, entre as ruas Lucília Simões e Paz dos Reis, e é um raro oásis no meio da cidade. Quase vinte anos depois de a dona Raquel se ter atrevido a jardinar um cantinho das traseiras do seu prédio que estava cheio de ervas altas e lixo, há canteiros construídos com pedras, dois lagos com pequenos repuxos, peixes e rãs, e muitas árvores, arbustos e flores. Foi Raquel quem se mexeu primeiro, mas rapidamente meia dúzia de vizinhas, também Marias como ela, acharam piada à ideia e cobriram de plantas todo o logradouro.

Chamaram-lhe Jardim das Marias e nunca deixaram de tratar dele, aplicando a velha técnica de tentativa e erro. Hoje, um olhar rápido devolve pelo menos uma bananeira, agapantos, várias manchas azuis de belas-emílias (Plumbago auriculata) e uns divertidos papos-de-peru (Aristolochia gigantea), a fazer pendant com a roupa nos estendais.

Todos os dias, as vizinhas revezam-se no jardim, nem que seja para conversar. Já têm o beneplácito da junta de freguesia, que lhes fornece a água, uma ajuda preciosa para quem abriu a bolsa para comprar a gravilha que cobre os caminhos. No Natal, há luzinhas e tudo.