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A arte de pintar paredes explica-se no novo Labirinto das Artes, em Vila Nova de Famalicão

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No novo centro interpretativo do grafismo viaja-se, de forma lúdica, das cavernas do Paleolítico aos murais de Vhils. O Labirinto das Artes abriu em Vila Nova de Famalicão e é um convite às escolas e famílias

O mural alusivo à época barroca

O mural alusivo à época barroca

D.R.

No Labirinto das Artes, as visitas são feitas à luz de uma lanterna que ilumina o percurso e conduz o olhar pelos murais, criando uma envolvência especial. O novo centro interpretativo do grafismo conta com dez salas a retratar diferentes períodos, devidamente contextualizados pelo guia: primeiro, uma caverna do Paleolítico, seguindo-se um longo corredor temporal que atravessa a Idade dos Metais, o Antigo Egito, a Grécia Antiga, o Império Romano, a Idade Média, o Renascimento, o Neoclassicismo, o Impressionismo e os diferentes movimentos artísticos do séc. XX (Expressionismo, Cubismo, Surrealismo, Pop Art…). No final, há ainda a reprodução de uma obra de Vhils, provavelmente o artista urbano português mais conhecido da atualidade. Um apontamento a reconhecer a necessidade inesgotável de gravar e de comunicar através dos murais.

O projeto, instalado numa quinta de Requião, uma freguesia rural de Vila Nova de Famalicão, é o culminar de 14 anos de atividade d’A Casa do Lado. Durante este período, o centro artístico realizou inúmeras intervenções de arte pública no concelho. “A comunidade falava das pinturas murais ou dos graffiti como se fossem manifestações artísticas da atualidade, por isso quisemos criar um espaço onde, de forma lúdica, pudéssemos mostrar a evolução do grafismo ao longo do tempo, até para as pessoas perceberem melhor o nosso trabalho”, conta Joana Brito, que partilha com Ricardo Miranda a direção artística. “As cidades são, no fundo, as novas cavernas”, reconhece Ricardo.

A escala do Renascimento é explicada pelo guia

A escala do Renascimento é explicada pelo guia

D.R.

A visita ao Labirinto das Artes, com cerca de duas horas, tem sempre associada uma oficina. Em cada ano, as atividades teóricas e práticas estarão concentradas numa época, para uma abordagem mais profunda. Até abril de 2020, o foco aponta ao Paleolítico, associando-se ao Museu do Côa para a realização de palestras e exposições sobre arte rupestre. Durante a semana, o centro interpretativo acolhe apenas escolas, tendo já protocolos com o município de Famalicão para receber alunos do pré-escolar e do primeiro ciclo. “O sistema educativo não tem um estudo direcionado para as artes plásticas, é importante estimular estas aprendizagens”, defende Joana Brito. Ao sábado, as portas estão abertas à comunidade, para perceber, afinal, que isto de pintar paredes já se fazia há milhares de anos.

Labirinto das Artes > R. Dr. Francisco Alves, 1058, Requião, Vila Nova de Famalicão > T. 93 484 1129 > escolas ter-sex 9h-18h, público em geral sáb 9h-18h > 3-18 anos €10, adulto €12