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Crónica por Lisboa: Patriarcal criatura

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

D.R.

“Cheira a mofo!” pode ser o primeiro comentário da criancinha que num destes dias se estrear a descer as escadas junto ao grande lago do Jardim do Príncipe Real (e souber nomear o cheirum a humidade). Terá razão, escreva-se, porque do Reservatório da Patriarcal sai um bafio que apenas se aceita por ser da ordem natural das coisas, mas use-se já a adversativa para acrescentar que ele logo se esquece.

Lá em baixo, percorrendo um labirinto de escadas e passadiços de ferro entre dezenas de colunas com nove metros e picos de altura, não há mofo que nos distraia da beleza do sítio. Construído entre 1860 e 1864, segundo projeto do francês Louis-Charles Mary, o reservatório está desativado desde o final dos anos 40, após quase um século a regular a pressão da água entre as Amoreiras e a canalização da zona baixa da cidade. As suas abóbadas impressionam.

É de aproveitar ir até ao final deste ano, porque a EPAL comemora 150 anos e oferece a entrada, sempre ao fim de semana, entre as 10 da manhã e as cinco e meia da tarde. Os mais afoitos podem ainda reservar (T. 21 810 0215) uma visita subterrânea guiada até à saída do Aqueduto do Loreto, situada no jardim do Miradouro de São Pedro de Alcântara. Depois não digam que não avisámos.