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O bar Pharmácia Musical, em Lisboa, é medicina para a alma

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A música é terapêutica e disso se faz prova no Pharmácia Musical, o novo bar lisboeta a meio caminho entre Arroios e a Graça

O bar foi decorado com armários, frascos e um balcão de uma antiga farmácia

O bar foi decorado com armários, frascos e um balcão de uma antiga farmácia

Diana Tinoco

Há lá definição melhor do que aquela que puxámos para título. Mas para quê poupar as palavras de Hugo Fernandes quando nos explica o que é o Pharmácia Musical, o bar que abriu na Rua Damasceno Monteiro? Para quem faz do violoncelo modo de vida, a acompanhar orquestras e músicos por esse País fora, a música é terapia. Tudo ganha sentido quando o ouvimos contar que, desde que abriu (já lá vão dois meses), há um casal de velhotes que todas as noites troca a novela por um café no bar. “Estão mais novos”, afirma.

É à volta da música que giram os dias por aqui, já se vê, com concertos nas noites de quarta a domingo – jazz, clássica, música do mundo –, com jantar a condizer. “Os pratos e petiscos combinam com o concerto do dia. Se temos música brasileira, fazemos uma moqueca de peixe, se é cabo-verdiana, uma cachupa, se for indiana, um caril”, conta Hugo. Também há uma carta de cocktails, com nomes como Saudade ou Chat Baker on the Rocks, e uma lista de vinhos apurada. Nas melhores noites, e apesar de a sala não ser muito grande, já chegaram a juntar-se ali 30-40 pessoas. “De idades e de estilos muito diferentes, o que me agrada. Era isto que eu queria”, diz Hugo, sorriso genuíno. E “isto” é um lugar de cultura, com concertos, mas também exposições, a mostrar o trabalho de artistas, como Pierre Pratt, canadiano a viver em Portugal há 14 anos, que faz de Lisboa sua inspiração. São dele as ilustrações, pinturas e litografias por estes dias nas paredes do bar.

A Hugo Fernandes (que tem um sócio, António Leitão, e que conta com a ajuda de Nádia Henriques) não faltam ideias para pôr no mapa esta Pharmácia Musical, decorada com armários, frascos e um balcão de uma antiga farmácia – que foram inspiração para o nome –, mesas de madeira, construídas pelas mãos do senhor Marmelo que vive no bairro, e bonitos candeeiros ao estilo dos anos 50. “O teatro é um instrumento de transformação social, e o Teatro do Oprimido, desenvolvido pelo brasileiro Artur Boal, é bastante eficaz nesse sentido. São peças de 15-20 minutos, em que, a determinada altura, os atores escolhem uma pessoa do público para assumir um papel e continuar a peça. Interessa-me fazer isto, com as pessoas que moram nesta rua parada e sem visibilidade”, desfia. “Há também por aí umas senhoras que fazem malha e já estou em conversações para elas virem ensinar os miúdos ao fim de semana.” Em construção está uma instalação com várias gavetas, cada uma com um título – amor, silêncio, tristeza, melancolia. Lá dentro haverá uma espécie de antídoto: uma música e uma bebida, para nos curar dos males da alma.

Diana Tinoco

Pharmácia Musical > R. Damasceno Monteiro, 43-45, Lisboa > seg-sex 18h-2h, sáb-dom 10h-2h > concertos €3