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Crónica por Lisboa: Uma vila em Bahuto

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

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Houve um tempo em que Campo de Ourique era uma zona de quintas conhecida por São João dos Bem Casados, nome da pequena ermida que se erguia onde hoje são as Amoreiras. A maior de todas – a do Bahuto (ou Baúto) – estendia-se da Rua de Campo de Ourique (então dos Pousos) até à Rua Saraiva de Carvalho (Caminho dos Prazeres). Quando Domingos Meira instalou a sua fábrica de gesso a vapor, no limite sul dessa quinta, já tinha por vizinhança o cemitério dos Prazeres. Estávamos no final do século XIX e ele não era o primeiro estucador a chegar de Afife.

Não era o primeiro, mas seria o mais falado da sua geração (e um dos poucos a formar-se em Belas-Artes). Se em Campo de Ourique produzia gesso e vendia cré, pó de pedra e areia do rio Seco, na sua oficina da Rua Rosa Araújo encarregava-se de obras de estuques e de pintura decorativa que chamariam a atenção de D. Fernando e da sua segunda mulher. São de Domingos Meira os troncos entrelaçados do Palácio da Pena e do Chalet da Condessa d’Edla, em Sintra, e, a meias com o seu irmão António, todo o trabalho de estuque do Palácio de Estói, em Faro.

A Travessa do Bahuto, onde se situa a centenária Vila Rosário, é a única memória dessa quinta junto à qual D. José I chegou a projetar o novo palácio real, após o Terramoto.