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Crónica por Lisboa: Regresso a casa

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Edifício da Xuventude da Galicia, Centro Galego de Lisboa

Edifício da Xuventude da Galicia, Centro Galego de Lisboa

DR

Sim, o dinheiro não traz felicidade, mas ajuda muito. A frase ficou a atazanar-me a última vez que entrei na Rua Júlio de Andrade, na ideia de visitar o Jardim do Torel. Vinha do Campo dos Mártires da Pátria, a fugir da luz crua da uma da tarde, e consegui finalmente abrir os olhos sob a sombra das árvores que há tantos anos um arquiteto e pintor quis ali plantadas.

Alfredo de Andrade morava em Itália e numa passagem por Lisboa subiu com os seus dois irmãos à colina voltada para a recém-
-inaugurada Avenida da Liberdade, encantando-se como eles com a vista. Júlio perduraria para a pequena história como um banqueiro benemérito, membro fundador da Sociedade Protetora de Animais, mas a fortuna já vinha do pai, um negociante com olho. Alfredo, Júlio e Guilhermina puderam, por isso, dar-se ao luxo de cada um mandar construir um palacete virado a poente, ao gosto revivalista do final do século XIX.

Seriam eles os primeiros habitantes da futura Rua Júlio de Andrade, penso com inveja branca sempre que entro no palacete do nº 3, que pertenceu à mana Guilhermina e hoje é a sede da Xuventude de Galicia. Desenhado pelo arquiteto Sebastião Locati, foi em bom tempo doado por Manuel Boullosa, um filho de imigrantes galegos que chegou a ter a quinta maior fortuna do País. Eu não dizia?