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Crónica por Lisboa: Um recife na cidade

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Faz mal quem passa pela Rua Sampaio Bruno, toma o seu geomonumento por um monte de terra indistinto e nem se pergunta por que razão está ele protegido. De carro, será difícil ler a inscrição “Aqui foi mar há 20 milhões de anos” e não ficar curioso, mas a pé é estranho alguém não estacar logo para querer saber mais. As explicações fazem qualquer criança abrir a boca de espanto e qualquer adulto sorrir.

Comece-se por lhes dizer que aqui havia um mar litoral, pouco profundo, com águas tépidas e límpidas, favorável ao desenvolvimento de um ambiente recifal. Um mar de tipo tropical, onde uns invertebrados minúsculos chamados briozoários, umas coisinhas com meio milímetro, se entretinham a fazer aquilo que melhor fazem: construir recifes, à semelhança dos corais.

Depois, vale a pena apontar para a camada argilosa que indicia um barreiro noutros tempos explorado por uma fábrica de cerâmica. Mas é quando sabemos que o geólogo Galopim de Carvalho, o “pai dos dinossáurios”, lutou para preservar esta rocha, chegando a pôr-se à frente de uma escavadora quando uma vizinha o avisou da sua destruição iminente, que olhamos este testemunho doutros tempos com ainda mais interesse. E saímos de Campo de Ourique cheios de vontade de revisitar o Museu de História Natural.