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Crónica por Lisboa: Porquinho de sempre

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

D.R.

Chegaram a ser dez em Lisboa, hoje são dois e apenas o da fotografia é dos originais, de vidro e tudo. Eram dez porquinhos iguais espalhados pela cidade, todos de avental e barrete de cozinheiro, a apontarem para o nome da charcutaria, e só agora fiquei a saber que foram uma invenção dos sócios da Aveirense, uma fábrica de salsicharia fina e conservas de carne (de porco, claro), fundada em 1949 e com sede na Rua da Arrábida, perto do Rato.

A fábrica fechou há algumas décadas e a maioria das charcutarias também, mas os porquinhos de néon a piscar ficaram na memória dos lisboetas, como ficaram as galantines da Aveirense, “que eram as melhores do mercado”, diz Constantino Fonseca, há já 50 anos à frente da Dava, na Avenida Duque de Ávila, 38B, ao virar da esquina da Avenida da República.

Fundada em 1939 por dois irmãos alemães judeus, esta loja chamou-se inicialmente Dawa. É aqui que a vizinhança vem quando quer boas tâmaras, caju sem sal ou farinheiras da Beira Baixa, e pede para guardar pão de Mafra, broa de milho, queijos de ovelha e ainda queijinhos frescos e requeijões. O néon está apagado temporariamente, à espera de um pequeno arranjo, mas o sr. Fonseca faz as honras da casa com uma piada: “Esta é a minha cara”, diz, ao entregar o cartão de visita com o porquinho impresso.