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No Portugal Masters, a decorrer no Algarve, podemos ver (mesmo) de perto os jogadores jogar golfe

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O torneio de golfe decorre até este domingo, 23, no Dom Pedro Victoria Golf Course, em Vilamoura. Entre os participantes está o atleta olímpico e um dos melhores golfistas portugueses, Ricardo Melo Gouveia, o único a entrar diretamente nesta competição

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Para os amantes da modalidade o Portugal Masters, maior torneio de golfe nacional, é uma oportunidade única de ver jogar de perto, muito de perto, os seus ídolos. Sergio Garcia, Padraig Harrington, Danny Willet, Lucas Bjerregaard (vencedor da edição passada) são alguns dos golfistas masters, categoria maior do golfe, que este ano marcam presença no Dom Pedro Vitoria Golf Course, em Vilamoura. A competição decorre até este domingo, 23, e ainda é possível comprar bilhetes para seguir de perto a performance destes atletas que percorrem, durante quatro dias, os mais de seis mil metros deste campo desenhado por um dos mais importantes golfistas de todos os tempos: o americano Arnold Palmer.

Para quem não costuma acompanhar a modalidade, talvez não saiba que é possível ver o jogo de muito perto, seguindo os atletas ao longo do jogo ou, em alternativa, mantendo-se sentado junto a um dos 18 buracos, por este ser mais espetacular ou mais difícil, com árvores, bancos de areia ou água por perto. Para quem prefere a tradicional bancada, junto ao 18º buraco, mesmo ao lado do lounge Rolex, um dos patrocinadores e relógio oficial da prova, é possível assistir confortavelmente sentado, mas ao sol. Os habitués sabem as regras de cor mas para quem chega pela primeira vez deve estar atento ao protocolo. Por exemplo, é preciso tirar o som dos telemóveis e fazer o menor ruído possível enquanto os jogadores tentam, ao máximo, colocar a bola no buraco no menor número de tacadas possível é isso que lhes dá a vitória.

À volta há festa, sim, mas sem barulho. Há barraquinhas de comida e bebida, de equipamento, dos patrocinadores e marcas ligadas à modalidade. Veem-se familias com crianças, jovens e casais mais velhos que circulam pela zona de treino dos jogadores ou se aventuram campo adentro. Para quem nada sabe sobre golfe e tem curiosidade, assistir a um torneio como este é a melhor maneira de descobrir que o golfe é muito mais que um jogador e os tacos.

Um mini-teste com Ricardo Melo Gouveia

O golfe é daquelas modalides que "primeira estranha-se, depois entranha-se", dizemos nós que tentámos executar à risca as dicas de Ricardo Melo Gouveia, atleta olímpico e um dos mais importantes golfistas portugueses da atualidade, numa mini aula de golfe a que pudemos assistir, a convite da Rolex (um dos patrocinadores do torneio). Paciente e calmo, explicou os movimentos que treina com o objetivo de que os replicássemoscom pouco sucesso da nossa parte, diga-se, embora não tivéssemos sido dos piores. Ricardo Melo Gouveia é o único português a competir a tempo inteiro no European Tour em 2018 e está de regresso depois de, no ano passado, ter conseguido a melhor classificação de um português neste torneio: um merecido quinto lugar alcançado com 14 pancadas abaixo do par do campo, 72. Neste Portugal Masters participam, por convite, mais oito portugueses sete profissionais e dois amadores , nesta que é a segunda melhor representação nacional no torneio.

O golfista Ricardo Melo Gouveia

O golfista Ricardo Melo Gouveia

D.R.

Ricardo Melo Gouveia, que completou, em agosto, 27 anos, nasceu no Algarve e foi aqui que iniciou o seu percurso no golfe com apenas seis anos. Mais tarde rumou para o circuito universitário norte-americano. Hoje, reside em Londres e é a partir da sua base que calcorreia o mundo para alcançar o seu sonho: "Gostava de chegar a número um mundial, como qualquer profissional de golfe. Depois quero jogar a Ryder Cup e vencer a Majors, mas ainda tenho que trabalhar muito. Se continuar a acreditar e com motivação, vou chegar lá", diz.

Ricardo é um atleta sem truques e supertições, mas assume que a concentração é importantíssima. Trabalha mentalmente com o seu psicólogo desde 2016, quando entrou no European Tour. "Senti que me faltava alguma coisa nessa área, a maior parte dos bons jogadores treina essa parte. Tem-me ajudado bastante principalmente em fases menos boas", explica o atleta. Entre os fatores que destaca para se ser um bom golfista, diz que são precisas muitas horas de treino e treinos de qualidade. "É preciso ter objetivos, haver um foco, e treinar a parte física todos os dias, assim como a mental".

Em Londres tem um rotina como qualquer atleta de alta competição. "Acordo às sete e meia e faço logo o meu ginásio de manhã. Depois sigo para o campo de golfe onde estou das 10 às quatro da tarde. Quando regresso a casa faço o meu treino mental, a essa hora a minha mulher ainda não chegou e estou sossegadinho", conta a sorrir. Confessa que lhe dava gosto vencer Tiger Woods e que a presença em 2016 no Rio de Janeiro ano em que a modalidade passou a integrar os Jogos Olímpicos foi uma experiência motivadora e aspiracional. Embora ainda longe, gostava de voltar a integrar a comitiva portuguesa no Japão, em 2020. "Os japoneses são todos certinhos, vão ser uns Jogos Olímpicos memoráveis", assegura o atleta que elenca cinco palavras-chave para quem se quer iniciar na modalidade: "tempo, dedicação, sacrificio, paciência e persistência".

Vista parcial do Victoria Golf Course, em Vilamoura. Com 18 buracos e mais de seis mil metros, foi desenhado pelo americano Arnold Palmer

Vista parcial do Victoria Golf Course, em Vilamoura. Com 18 buracos e mais de seis mil metros, foi desenhado pelo americano Arnold Palmer

Portugal Masters > Dom Pedro Victoria Golf Course > Vilamoura, Loulé > T. 289 310 333 > até 23 set, sáb-dom 7h-19h30 > €25