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A força das palavras invade a Feira do Livro do Porto, nos jardins do Palácio de Cristal

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Os 50 anos do Maio de 68 serviram de mote a uma programação de matriz revolucionária, onde serão exploradas as ligações entre a literatura e a música. Do homenageado, José Mário Branco, a debates, exposições e lições, muitas serão as oportunidades para dar largas à inquietação. A partir desta sexta, dia 7, nos jardins do Palácio de Cristal

O músico José Mário Branco é o homenageado desta edição

O músico José Mário Branco é o homenageado desta edição

1. Homenagem a José Mário Branco

O 50º aniversário da carreira do músico será marcado pela inscrição do seu nome na avenida das Tílias, junto de outras figuras, como Vasco Graça Moura ou Agustina Bessa-Luís. A escolha do homenageado desta edição, de acordo com Rui Moreira, presidente da câmara do Porto, deve-se ao facto de "ser um dos nomes mais importantes da música portuguesa do século XX, que acreditamos ser, paralelamente, um dos nomes mais relevantes da literatura nacional das últimas décadas". A sessão oficial de abertura da Feira do Livro será no sábado, dia 8, às 18h, precisamente com uma conversa entre o cantautor e Anabela Mota Ribeiro, sobre a sua carreira, a ligação entre a música e a poesia, a liberdade e as revoluções. Às 21h30 decorrerá um espetáculo, promovido pela Associação José Afonso, cujo mote é o álbum de inéditos de José Mário Branco, recentemente editado, mas que abordará outros nomes da música popular portuguesa.

2. Debates

No auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett decorrerão os encontros entre autores e leitores, convocando os 50 anos do Maio de 68, as ligações entre a música e a literatura e as revoluções por fazer. Os oito debates, programados por José Eduardo Agualusa e Anabela Mota Ribeiro (a mesma dupla de comissários da anterior edição), contarão com figuras internacionais de relevo, como Leila Slimani, a romancista francesa de origem marroquina (autora do romance Canção Doce, vencedor do prémio Goncourt em 2016), ou Daniel Cohn-Bendit, um dos protagonistas da revolta estudantil. Do universo literário da língua portuguesa, estarão à conversa autores consagrados (como Mário de Carvalho, Mia Couto e Afonso Cruz) e jovens revelações (Kalaf Epalanga, Telma Tvon).

Haverá sempre animação a percorrer os jardins do Palácio de Cristal

Haverá sempre animação a percorrer os jardins do Palácio de Cristal

Lucí­lia Monteiro

3. Spoken Word

Quatro palavras – Utopia, Revolta, Amor e Melancolia – ressoarão nas sessões e servirão de mote para a exploração das ligações entre a palavra escrita e cantada. Foram convidados intérpretes de vários campos para lhes dar corpo, como a rapper Capicua, a cantora Selma Uamusse, o artista urbano Miguel Januário, a coreógrafa Sónia Baptista, a cineasta Cláudia Varejão ou a atriz Sara Carinhas.

4. Exposições

Musonautas, Visões & Avarias: 1960-2010 – 5 Décadas de Inquietação Musical no Porto é o nome da exposição a inaugurar, esta sexta, dia 7, na Galeria Municipal do Porto, e a merecer grande destaque. Ali se procurará dar conta do “papel decisivo da cidade no pós-modernismo português, de onde saiu uma enorme constelação de artistas e de músicos de vanguarda”, sublinha Guilherme Blanc, responsável pela coordenação programática da Feira do Livro. Comissariada por Paulo Vinhas, partiu de um trabalho de documentação e de sistematização do legado musical do Porto, nas suas diferentes expressões. No mesmo local poderá ainda ser vista a mostra Porto sentido de fora: Livros e Guias de Viagem de Portugal entre a Monarquia Constitucional e o Estado Novo, com curadoria de Vasco Ribeiro, enquanto no foyer da Biblioteca Municipal Almeida Garrett estará Maio 1968 – A Revolta em Cartazes, uma seleção das imagens mais icónicas espalhadas pelas ruas de Paris durante os protestos estudantis.

"Weekend", de Jean-Luc Godard será um dos filmes exibido no ciclo de cinema

"Weekend", de Jean-Luc Godard será um dos filmes exibido no ciclo de cinema

5. Cinema

Os filmes programados para esta edição partem do lema do Maio de 68 “Sejamos realistas, exijamos o impossível”. Entre os gritos de rebelião anunciados no cinema serão exibidos Sementes de Violência, de Richard Brooks, Weekend, de Jean-Luc Godard, Wanda, de Barbara Loden, Má Raça, de Léos Carax e Ata-me, de Pedro Almodóvar, cada um deles apresentado por uma pessoa diferente, de João Ribas (diretor do Museu de Serralves) à atriz Ana Moreira.

6. Lições

Mantiveram-se as lições comissariadas por Anabela Mota Ribeiro, que desta vez tomam como ponto de partida a questão lançada por Italo Calvino: “Porquê ler os Clássicos?”. Um curso breve de literatura cujos professores serão, entre muitos outros (10, ao todo), António Mega Ferreira, que falará sobre A Divina Comédia de Dante, João Barrento, que abordará a obra de Goethe, e Pedro Eiras, que ministrará uma lição sobre Fernando Pessoa.

Bernardo Carvalho será o escritor residente

Bernardo Carvalho será o escritor residente

Julia Moraes

7. Projetos Especiais

Uma das novidades desta edição é a criação do Cabine de Escalas, um espaço reservado a pequenas editoras ou livrarias (16), sem custos de presença, para apresentarem os seus projetos, que normalmente partem de temas não generalistas ou seguem formatos experimentais.

Pela primeira vez, foi também escolhido um escritor em residência: Bernardo de Carvalho, considerado um dos autores mais fulgurantes da literatura brasileira contemporânea, que após um mês a viver no Porto, escreveu um conto que será distribuído durante a Feira do Livro. No dia 18, às 19h, o escritor conversará com Francisco José Viegas sobre esta experiência e outras questões.

Feira do Livro do Porto > Jardins do Palácio de Cristal, Porto > 7-23 set, seg-qui 12h-21h30, sex 12h-23h, sáb 11h-23h, dom 11h-21h30