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Open House: A festa da arquitetura no Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia

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Esta é a maior edição de sempre da Open House, a festa da arquitetura, com 65 lugares a visitar, maioritariamente edifícios de utilização industrial. Este sábado, 30, e domingo, 1 de julho, no Porto, Matosinhos e em Vila Nova de Gaia

A fábrica de moagem Germen, em Matosinhos, abre as portas, pela primeira vez, ao público

A fábrica de moagem Germen, em Matosinhos, abre as portas, pela primeira vez, ao público

Lucilia Monteiro

Uma fábrica com a traça mantida desde o início do séc. XX. Edifícios com muitas vidas (armazém, tanoaria, carvoaria…) reconvertidos para habitação. E um antigo clube inglês transformado em indústria de confeção. Com estes três exemplos diferentes, Inês Moreira e João Paulo Rapagão, os curadores do Open House Porto 2018, mostram como a arquitetura industrial continua a marcar este território, que se estende ainda a Matosinhos e Vila Nova de Gaia. Será este 
o mote da quarta edição, à boleia da Casa da Arquitetura, inaugurada no ano passado, ela própria um edifício industrial resgatado da ruína. “Quisemos inverter o estigma que levou 
à marginalização da arquitetura industrial 
e mostrar a validade desses espaços, dos abandonados aos transformados, com programas transversais”, sublinha João Paulo Rapagão.

A vontade de chegar a um público alargado (mesmo aquele que não costuma interessar-se por arquitetura) levou a organização a selecionar 65 locais para visita, o mais extenso programa de sempre, direta ou indiretamente ligados ao tema. Muitos deles estão habitualmente vedados 
ao olhar público. É o caso da Germen – Fábrica 
de Moagem, em Matosinhos, que pela primeira 
vez abre as portas aos curiosos durante 
a laboração. O edifício da moagem, uma estrutura de ferro e madeira, remonta a 1910 (outros foram construídos à sua volta) e “foi modernizado dentro de paredes, revelando uma perfeita interligação da arquitetura antiga com as novas tecnologias”, explica João Paulo Rapagão. Um exemplo de adaptação à passagem do tempo. “Uma fábrica não tem de ser abandonada só porque foi construída numa certa época”, acrescenta o curador.

Atelier des Createurs, na rua José Falcão, no Porto

Atelier des Createurs, na rua José Falcão, no Porto

Lucilia Monteiro

Já o Atelier des Createurs é o único no programa de visitas que, na origem, tinha 
outro uso (funcionou como sede da Associação Cristã da Mocidade, de culto protestante), 
e passou a acolher uma indústria têxtil. 
“A transformação foi menos intrusiva do que se o edifício se convertesse em habitação”, defende Nuno Valentim, um dos coautores do projeto, concluído em 2009. A maior dificuldade do novo programa “foi convencer o cliente de que era possível preservar os estuques, balcão e traves 
do salão original e adaptá-los ao novo uso”, conta. E mantiveram-se as memórias do clube, entre máquinas de costura e mesas de corte.

O respeito pela história também é visível em Vila Nova de Gaia, na reconversão de um conjunto de edifícios contíguos na margem do rio Douro. Três casas no Cais Capelo Ivens, habitadas por três irmãos (entre eles, a arquiteta Carla Cabral, autora do projeto), mostram como os espaços industriais podem ter novas utilizações. O mais antigo dos edifícios, do séc. XVII, manteve as paredes enegrecidas, em ruína, do tempo em que funcionou como armazém de carvão, perdeu o teto e foi transformado num discreto e aprazível jardim. Onde estão as moradias, funcionava uma tanoaria. “O mais difícil foi introduzir luz, porque não podíamos intervir na fachada, por isso tivemos de rasgar o edifício a sul e deixar as áreas de circulação abertas, quase sem portas”, explica Carla Cabral que, dia 30, sábado, conduzirá as visitas comentadas (ver caixa). Tirar o melhor partido do roteiro implica olhar para o mapa e para os horários das visitas, planeando previamente o que se quer conhecer. No site, há uma divisão dos vários locais por épocas, zonas e tipologias. Em comum, a arquitetura 
de excelência, promovida também em atividades paralelas (maioritariamente concentradas na Casa da Arquitetura). Afinal, o Open House é, defende a curadora Inês Moreira, “um projeto de paixão, para quem acredita que a arquitetura deve ser divulgada ao grande público”.

As casas do Cais Capelo Ivens, em Vila Nova de Gaia, onde se manteve um antigo edifício do século XVII, são um dos projetos particulares abertos ao público

As casas do Cais Capelo Ivens, em Vila Nova de Gaia, onde se manteve um antigo edifício do século XVII, são um dos projetos particulares abertos ao público

Lucilia Monteiro

Há três tipos de visita: livre, nos horários estipulados; acompanhada por voluntários instruídos sobre a arquitetura dos locais; ou comentada, pelo autor do projeto ou por um especialista.

Open House > Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia > T. 22 240 4663/64 > 30 jun-1 jul > grátis, visitas com pré-reserva no site 2018.openhouseporto.com