Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Ai, sabe bem estar de férias no Ferroviário, em Santa Apolónia

Sair

A cidade já merecia que lhe devolvessem este terraço, sem desprezo pelo piso inferior decorado com toques de burlesco. Agora, só faltam os finais de tarde chamarem-nos para a rua

O Ferroviário esteve um ano em obras, especialmente o terraço, agora pintado a azul-petróleo e em tons de dourado e bronze. Por isso, não admira que estejam 80 plantas, 250 m2 de sulipas (madeiras das linhas de comboio), 60 m2 de jardim vertical artificial, 110 lâmpadas e 20 postes para a cobertura e iluminação

O Ferroviário esteve um ano em obras, especialmente o terraço, agora pintado a azul-petróleo e em tons de dourado e bronze. Por isso, não admira que estejam 80 plantas, 250 m2 de sulipas (madeiras das linhas de comboio), 60 m2 de jardim vertical artificial, 110 lâmpadas e 20 postes para a cobertura e iluminação

Marcos Borga

Marcos Borga

Venha o verão e o bom tempo, que já temos quinhentos metros quadrados de terraço para o gozar. O Ferroviário não podia ter (re)aberto em melhor altura, quando apetece mesmo prolongar os finais de tarde pela noite dentro, sem pensar no dia seguinte. E aqui, por entre um cocktail de autor, que alguns já conhecerão da Espumantaria ou do restaurante Peixola, e um petisco do chefe colombiano Nicolas Villalba – será responsável pela finger food até outubro –, é o poiso ideal para nos deixarmos ir.

A partir desta sexta, 8, subir a escadaria deste edifício perto da Estação de Santa Apolónia vai ser como jogar a uma saudável roleta-russa. Quem estará a tocar no terraço, ou será dia de cinema? Haverá algum espetáculo de stand-up no primeiro piso, decorado agora à la burlesco? Ou conseguiremos apanhar uma espreguiçadeira para ouvir a seleção do dj de serviço? As opções, da responsabilidade do jornalista David Pinheiro, poderão ser tantas que enumerá-las tornaria este texto maçudo, e isso é que não pode ser, pois nada tem que ver com o espírito do Ferroviário. O importante a reter é que se trata de uma curadoria de novos talentos, sejam eles de que áreas forem.

O espírito do Ferroviário, na realidade, não podia ser mais leve e despretensioso. E isso percebe- -se imediatamente no terraço – perdoe-se-nos a insistência neste piso de cima. Há plantas tropicais a delinear recantos, jardins verticais, cadeiras de verga de vários estilos, mesas de madeira tosca com rodas industriais que assentam em sulipas. Ricardo Seguro Pereira idealizou a decoração sem nunca fugir ao cunho industrial desta zona da cidade. Afinal, por baixo do nosso nariz, está a linha do comboio; mais à frente, junto ao rio, um mar de contentores e gruas; e lá ao longe, a margem sul, com o seu aspeto fabril – mas o que sobressai de tudo isto, felizmente, é o Tejo e é a luz.

No primeiro andar, é para esquecer este retrato e entrar numa onda mais urbana – ambiente escuro, veludos pesados, luzes artificiais, espelhos de talha dourada e um palco cénico. Há ainda o foyer, que se avista quase de passagem, mas onde vale a pena perder algum tempo a reparar no pormenor das malas de viagem ou dos relógios antigos pendurados nas paredes. Avisamos já que uma ida à casa de banho pode dar bom material para o Instagram, por culpa do papel de parede importado, à base de flamingos, no andar de cima, e de coloridas aves tropicais, cá em baixo. Venha de lá esse bom tempo, então!

Marcos Borga

Ferroviário > R. de Santa Apolónia, 59 > T. 21 765 7892 > qua-qui 18h-2h, sex 18h-3h, sáb 14h-3h, dom 14h-2h