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Ratinho superstar

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Já aqui partilhei uma paixão assolapada pelos coelhinhos da Confeitaria Nacional, esses pedaços de mau caminho feitos de pão de ló, recheados de creme de manteiga fresca e cobertos de doce de ovos. Agora, antes que alguém diga que no sítio xis, em Lisboa, se vendem porquinhos de doce iguaizinhos aos do Café Luiz da Rocha, em Beja, venho acrescentar uns outros bichos à minha lista do pecado da gula: os ratinhos da Lua Mel, na Avenida Grão Vasco, em Benfica.

Ratinhos há muitos, mas estes são feitos à antiga pelo pasteleiro Luís Delgado, seguindo uma receita do chefe Ferreira, com quem trabalhou na desaparecida Lua de Mel da Rua da Prata. Há mais de 20 anos que ele pega nas aparas de pão de ló dos “guardanapos” e dos bolos de anos, amassa-as com calda de açúcar, cacau e um pouco de canela, e cobre com chocolate do bom. Moldados os bichos, espeta-lhes as orelhas e os rabos de chocolate.

Se for preciso uma desculpa para continuar a alimentar a sweet menagerie, finja-se uma vontade inadiável de passear na vizinha Mata de Benfica (oficialmente Parque Silva Porto). Mas sobretudo faça-se a experiência de entrar na Lua Mel com uma criança – mal ela veja um destes ratinhos (a €1,25) já não vai conseguir desver. Com uma vantagem: os bichos são tão grandes que decerto precisará de ajuda.