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LU.CA, o novo teatro de Lisboa é para crianças e jovens

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Na Calçada da Ajuda, o Teatro Luís de Camões abre esta sexta, 1, Dia Mundial da Criança, como LU.CA e com um programa desenhado para os mais novos que se repete ao longo de três dias. Feita a festa da inauguração, a entrada é grátis até final de julho

Marcos Borga

Estamos no camarote principal, e não é por acaso. Daqui temos a melhor perspetiva da sala principal do LU.CA, nome que resulta do jogo lúdico com primeiras sílabas do renovado Teatro Luis de Camões: palco em frente, teto decorado com bonitos painéis de Columbano Bordalo Pinheiro, camarotes a toda a volta, a plateia lá em baixo. São 131 lugares no total e já esta sexta-feira, 1, Dia Mundial da Criança, no número 80 da Calçada da Ajuda, espera-se lotação máxima para assistir, a partir das 15 horas, ao concerto As Fábulas de La Fontaine, pela Orquestra Juvenil Metropolitana, com narração de Isabel Abreu, Inês Fonseca Santos, Inês Meneses, Joana Barrios, Márcia, Margarida Mestre e Raquel Castro, e imagem de Daniel Blaufuks.

O programa, que se repete ao longo de três dias e é grátis, inclui ainda visitas aos camarotes e à sala (17h-19h), uma oficina de fotografia (16h-20h), em que não faltará um fundo branco e vários adereços para tirar fotografias de outros tempos, que serão depois pintadas com ecolines e tintas de água. Já em Biblioteca do Público – Livros Espectaculares (Mesmo!), Sara Amado foi desafiada a fazer uma curadoria de livros para estes dias (a repetir-se nos próximos tempos), que falam para o espectáculo em cena. “São livros escolhidos a dedo que ajudam a ver cada peça de múltiplas perspetivas, aproximam, interferem, questionam, fazem novas leituras, fazem tocar campainhas e nos põem a pensar”, lê-se no descritivo do programa. Susana Menezes, diretora artística do LU.CA, ajuda a decifrar: “Esta ideia de convocar, a partir dos espectáculo de palco, seja ele teatro, dança, performance ou novo circo, outras formas de expressão artística, como a música, o cinema, a literatura, o design, a ilustração e as artes plásticas, vai marcar a programação regular. Queremos esticar horizontes, pô-los a pensar”.

A performance de rua Girafas, pela companhia catalã Xirriquiteula Teater e uma exposição com projetos de abrigos para animais dos alunos do 1º ano de Design de Ambientes da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha são outras das propostas para os três Dias de Inauguração!, ao longo dos quais não faltará limonada e bolo.

A abertura do LU.CA resulta da reorganização dos teatros municipais de Lisboa, sob a gestão da EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural e contou com um investimento de 1,2 milhões de euros. O Teatro Maria Matos, que será entregue a privados, vê a sua programação dividida por dois palcos: o novo LU.CA, onde o alinhamento pensado para crianças e jovens ganha dimensão própria, e o Teatro do Bairro Alto (para a escolha do diretor foi também lançado um concurso público, mas o nome ainda não foi divulgado).

Após a inauguração, o LU.CA reabre no próximo dia 16, com o programa Visita ao Teatro, convidando a cidade a conhecer o interior deste edifício do século XVIII que se abre agora à cidade totalmente recuperado, segundo projeto dos arquitetos Manuel Graça Dias e Egas José Vieira. O palco, o subpalco, os camarins, a teia e até os escritórios serão mostrados em quatro visitas de 60 minutos (11h, 15h, 16h30 e 18h), a desvendar também um pouco da sua história. Foi Casa da Ópera do rei D. João V (antes da abertura do Teatro de São Carlos), funcionou como celeiro, inaugurou como Teatro Luís de Camões a 10 de junho de 1880 (nos 300 anos do nascimento do poeta) e no último século acolheu o Belém Club, coletividade cultural que se mudou para a Rua da Junqueira em 2016.

'A Montanha' é uma história contada a dois: António Jorge Gonçalves, artista visual que em tempo real vai construindo cenários e personagens que interagem com Ana Brandão, a atriz em palco

'A Montanha' é uma história contada a dois: António Jorge Gonçalves, artista visual que em tempo real vai construindo cenários e personagens que interagem com Ana Brandão, a atriz em palco

José Frade

Em julho, haverá oficinas de teatro para crianças com mais de 12 anos, orientadas por Cláudia Gaiolas, e com mais de 14 anos, por Tânia Alves. Programados estão também quatro espectáculos que passaram pelo Maria Matos na última década: Hamlet Sou Eu, pelo Teatro Praga (17, 23 e 24 julho); Daqui Vê-se Melhor!, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho (30 jun e 1 jul); Catabrisa, de Gémeo Luís, Eugénio Roda e Joana Providência (7 e 8 jul), e A Montanha, de Ana Brandão e António Jorge Gonçalves (21 e 22 jul). Tudo de entrada grátis. Em agosto, o teatro encerrará, reabrindo em setembro, com programação regular, de terça a domingo. Durante a semana acolherá as escolas, ao fim de semana as famílias. Falta apenas definir o preço dos bilhetes.

LU.CA – Teatro Luís de Camões > Calçada da Ajuda, 76-80, Lisboa > T. 21 593 9100 > bilheteira: ter-dom 10h-13h, 14h-18h > até final de julho as atividades são de entrada livre, sujeitas à lotação da sala e ao levantamento de bilhete 1 hora antes do espectáculo (2 bilhetes por pessoa) > www.lucateatroluisdecamoes.pt