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Mercado de Ofícios do Bairro Alto, em Lisboa: Aprender com os melhores

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Mestres e artífices da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva e da Casa Maciel mostram e ensinam a trabalhar artes tradicionais portuguesas como douramento, talha e passamanaria no novo Mercado de Ofícios do Bairro, em Lisboa

Rui Gamito é um apaixonado pelas lanternas de latão que aprendeu a fazer. Ao lado da mulher, Margarida Pargana Gamito, o casal representa a sétima geração da Casa Maciel

Rui Gamito é um apaixonado pelas lanternas de latão que aprendeu a fazer. Ao lado da mulher, Margarida Pargana Gamito, o casal representa a sétima geração da Casa Maciel

Marcos Borga

Foi a teimosia em não deixar morrer um legado de sete gerações que levou a Casa Maciel a aceitar o convite da Câmara Municipal de Lisboa para fazer parte do Mercado de Ofícios do Bairro Alto. “Achei maravilhosa 
a ideia de se transformar um antigo mercado 
de Lisboa num lugar dedicado à promoção 
e à transmissão deste saber-fazer tradicional, de artes que são muito portuguesas, como a latoaria, a que nos dedicamos desde 1798”, diz Margarida Pargana Gamito, a sétima geração da empresa. 
A sala ocupada pela Casa Maciel serve, por agora, de oficina mas em breve será também uma escola de latoaria, acompanhando assim a nova função de promoção e divulgação das artes tradicionais, do renovado Mercado do Bairro Alto.


“Era impossível não nos associarmos a este projeto tão importante para a preservação de ofícios tão portugueses”, explica Pedro Santana Lopes, presidente da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS), outra das entidades envolvidas na dinamização do mercado. É, aliás, da responsabilidade da FRESS a programação dos cursos e oficinas (6, 12 ou 30 horas) que aqui vão decorrer às terças, quintas e sábados, e nos quais qualquer pessoa poderá participar: passamanaria, tecelagem, douramento, gravação e decoração de pele, embutidos, talha e cerâmica. As segundas e sextas-feiras são open days, em que é permitida a utilização livre e gratuita das máquinas, da serra elétrica à mufla. “As pessoas inscrevem-se referindo o que querem fazer, sempre com supervisão. Podem até vir fazer 
o empalhamento de uma cadeira, nós teremos cá alguém da FRESS para ajudar. Esta segunda, 28, vão poder experimentar-se as técnicas de marcenaria, embutidos, gravação de couro e pintura de azulejos.

A formação é feita com o apoio dos mestres e artífices da fundação, assim como de alunos nossos, certificados, uma forma de os incluir no mercado de trabalho”, diz Conceição Amaral, administradora-executiva da instituição. Embora o edifício do mercado seja pequeno, haverá ainda tempo e espaço para 
o ocupar com conversas, conferências e exibição de filmes, sempre à quarta-feira, de 15 em 15 dias, entre as 18h e as 20h, e com entrada livre.

Miguel Alonso Duarte dedica-se à arte da talha

Miguel Alonso Duarte dedica-se à arte da talha

Marcos Borga

Mercado de Ofícios do Bairro Alto > Tv. da Boa-Hora, Lisboa > T. 21 881 4600, fress.moba@gmail.com / fress.moba@fress.pt > ter, qui e sáb: oficinas criativas; seg e sex: open days > a partir de €10 (oficinas)