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Azulejos e patos

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Aproveitem-se estes dias de primavera e reservem-se as primeiras horas de uma manhã de segunda-feira para ir com outros olhos ao Jardim Botânico Tropical.

O portão abre às 9 e, por essa altura, já os verdadeiros donos do lugar – os patos--mudos – se bamboleiam entre o lago principal e as figueiras-da-Austrália majestosas, ao som dos gritos dos poucos pavões locais e do cacarejar das galinhas da vizinha presidência. E por ser o dia em que a maioria dos museus de Belém está fechada, não se tropeça em centenas de turistas.
Ao entrar, será difícil resistir à alameda de palmeiras americanas e mexicanas centenárias. Siga-se, então, por ela e até ao final, subindo depois sempre pela direita, rumo ao Palácio dos Condes da Calheta. Talvez a um terço da subida, chega-se à Casa da Direção que já foi chamada Casa Colonial, um edifício de dois pisos que copiava as moradias portuguesas nas colónias.

Cá fora, no seu pátio exterior, há um “lago das cobras” rodeado de bancos--namoradeiras, cobertos de azulejos povoados de aves, e um alpendre a pedir trepadeiras, com painéis de tigres, gazelas e leões. Dentro, é todo outro filme que desde o verão passado pode ser visto a pretexto de um café ou de um souvenir. É espreitar, senhores, é espreitar, porque o casal da fotografia é só uma amostra.