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A renovação pelo fogo da Queima do Judas

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O ritual pagão regressa, este sábado de Aleluia, dia 31, a Tondela, Vila do Conde e Vila Nova de Cerveira. Espetáculos comunitários com tanto de apocalíptico como de apaziguador

A Queima do Judas, em Tondela, conta com duas centenas de participantes

A Queima do Judas, em Tondela, conta com duas centenas de participantes

Ricardo Chaves

Nunca o fogo assumiu uma forma tão ambígua. Há décadas, a ACERT – Associação Cultural e Recreativa de Tondela recuperou a tradição da Queima e Rebentamento do Judas, transformando-a numa das suas maiores produções. Este ano, com a imagem muito presente dos incêndios que devastaram a região, lida-se com material altamente inflamável (no sentido literal e não só). “O espetáculo tem de ser especialmente grandioso para cumprir a sua função redentora, o fogo interveio no território de forma cruel e temos de conseguir incorporar a dor na celebração”, sublinha Pompeu José, o diretor artístico. Contaram, mais uma vez, com a adesão fantástica da comunidade, com cerca de duas centenas de participantes a ajudarem a concretizar esta celebração ancestral. “Isto não é uma coisa só de artistas, há uma grande cumplicidade com a população”, acrescenta.

Ricardo Chaves

O ritual pagão, associado à morte do ano velho e à chegada da primavera, também regressará este sábado, dia 31, a Vila do Conde, organizado pela associação cultural Nuvem Voadora, com a ajuda de vários grupos locais. Nesta 13ª edição, o espetáculo de rua multidisciplinar volta a recorrer à memória coletiva, inspirando-se na água e no aqueduto de Santa Clara, um dos monumentos mais identificadores do concelho. À entrada do Parque Urbano João Paulo II, o público será desafiado a escolher entre duas comunidades, a Natureza ou o Homem, com diferentes perspetivas do espetáculo, mas um problema comum: a escassez de água. Para encontrarem uma solução, terão de procurar a ajuda de um oráculo perdido no tempo. De seguida, haverá a tradicional leitura do testamento, escrito com o contributo dos depoimentos anónimos da população, traduzindo em tom crítico e de sátira os males da sociedade. Expurgados, no final, pelo fogo.

Mais a norte, a Queima de Judas irá cobrir Vila Nova de Cerveira com um manto vermelho, para invocar simbolicamente o sangue derramado e o fogo purificador, convidando-se os visitantes a vestirem-se desta cor. Dirigido pelas Comédias do Minho, o espetáculo comunitário percorrerá o centro histórico da vila, parando em sete pontos-chave, até se chegar ao Julgamento Final, onde Judas será queimado num cenário de grande escala. Com música, dança e muitos efeitos a compor a festa.

Queimas do Judas > 31 mar, sáb > junto ao pavilhão municipal de Tondela, às 23h30 > Parque Urbano João Paulo II, Vila do Conde, às 22h30 > centro histórico de Vila Nova de Cerveira, às 23h30 > entrada livre

O Judas é sempre queimado em grande escala

O Judas é sempre queimado em grande escala

Susana Neves