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Um belo estafermo

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Crónica por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

O homem que está a um canto do salão nobre do antigo picadeiro do Palácio Real de Belém é só uma desculpa, mas é uma belíssima desculpa. Visitar o local que durante mais de cem anos albergou o Museu Nacional dos Coches merece algum do nosso tempo, com ou sem uma passagem pelo novo museu projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, no outro lado da rua. E o Estafermo – é assim que ele se chama, sem ofensa – está estrategicamente colocado lá ao fundo para nos levar a percorrer o comprido salão, sempre a olhar em volta.

Invejamos o tempo em que a família real e a corte assistiam aos jogos equestres das tribunas do primeiro andar, e apostamos que a Corrida ao Estafermo era muito apreciada. O ar assustado do mouro devia rivalizar com as caretas dos cavaleiros que, armados de uma lança, tentavam acertar no escudo e fazer girar a figura, cuidando em não serem atingidos pelo chicote.

Hoje, os estafermos aparecem por vezes em feiras medievais, mas nunca são tão interessantes como este. O nome vem do italiano “sta fermo” que se gritava quando a figura parava. Da próxima vez que alguém lhe chamar “estafermo”, ria-se e explique porquê. Se o interlocutor for esperto, correrá ao velho museu onde sobram alguns coches e boa pintura para ver.