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Livraria Almedina, em Lisboa: Literatura com toda a calma nas oficinas Ricardo Leone

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A Almedina abriu mais uma livraria em Lisboa. Entre o Rato e o Príncipe Real, a centenária oficina de vitrais de Ricardo Leone serve agora de casa a outra arte

É a memória do lugar, preservada no mobiliário, nos fornos para cozer o vidro e nos guichets de pagamento, que torna especial a Almedina Rato

É a memória do lugar, preservada no mobiliário, nos fornos para cozer o vidro e nos guichets de pagamento, que torna especial a Almedina Rato

Diana Tinoco

É a coqueluche da Almedina, arriscamos o substantivo para a nova livraria no número 225 da Rua da Escola Politécnica, em Lisboa. O eixo Rato-Príncipe Real já estava na mira do grupo editorial que encontrou “o lugar certo” no antigo ateliê-oficina de Ricardo Leone (1891-1971), mestre na arte do vitral, que prosperou entre as décadas de 20 a 40 do século passado – ali foram feitos trabalhos de Almada Negreiros ou João Abel Manta, e recuperaram-se os vitrais do Mosteiro da Batalha (onde está, de resto, guardado o arquivo da oficina). “Procurávamos um sítio diferente, que trouxesse um ambiente distinto à nossa oferta, e não é todos os dias que se encontram lugares assim”, diz Pedro Soares Franco, diretor de retalho do Grupo Almedina, sobre a oficina fechada na década de 70 do século passado e que estava arrendada à Direcção-Geral do Património Cultural.

Se a Almedina Rato mantém o caráter generalista das restantes livrarias (em Lisboa, contando com Atrium Saldanha, Fundação Calouste Gulbenkian, Oriente e ISCTE, são cinco), é a história do lugar que a torna especial, preservada nos guichets para pagamentos e expediente, nos pequenos fornos de cozer o vidro, nos potes de tinta numerados, nas mesas de trabalho ou no restante mobiliário agora recuperado e adaptado para expor livros. O escritório de Ricardo Leone, onde está a sua antiga secretária, está reservado à Arte, Arquitetura, Fotografia e à ficção em língua estrangeira. Já na oficina de corte do vidro e do metal não faltam os bestsellers do momento (A Serpente do Essex, da escritora inglesa Sarah Perry, eleito o melhor livro de 2016 nos British Book Awards, ou O Homem que Duvidava, de Ethan Canin, listado entre os melhores pelo New York Times), os romances, as biografias, as Ciências Sociais e Humanas ou a História de Itália, de Christopher Duggan, sempre muito procurado na Feira do Livro. Mas há mais nestes 200 metros quadrados de livraria. A área jurídica, âncora da atividade da Almedina, que conta com mais de 60 anos de atividade, ocupa a sala do desenho, enquanto a antiga zona de arrumos ganhou nova vida com a literatura infanto-juvenil.

Para breve estão previstos lançamentos de livros com as chancelas do grupo (Almedina, Edições 70, Actual Editora e Minotauro), mas também de outras editoras, conversas com autores e tertúlias. E não faltam ideias para dar uso tanto ao jardim nas traseiras, como ao pequeno pátio interior deste edifício de meados do século XVIII, onde funcionou a Real Fábrica das Sedas.

Criada por Joaquim Machado, em 1955, em Coimbra, a Almedina tem desenvolvido a sua atividade em áreas técnicas – Direito (Edições Almedina), Ciências Sociais e Humanas (Edições 70) e Ciências Económicas (Actual Editora) –, tendo lançado há um ano a chancela Minotauro, que aposta na ficção e na literatura infantojuvenil

Criada por Joaquim Machado, em 1955, em Coimbra, a Almedina tem desenvolvido a sua atividade em áreas técnicas – Direito (Edições Almedina), Ciências Sociais e Humanas (Edições 70) e Ciências Económicas (Actual Editora) –, tendo lançado há um ano a chancela Minotauro, que aposta na ficção e na literatura infantojuvenil

Diana Tinoco

Livraria Almedina > R. da Escola Politécnica, 225, Lisboa > T. 21 199 1551 > seg-sáb 10h-19h