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Estamos presos por agulhas

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Não vou mentir: a drogaria onde a minha mãe me mandava comprar aguarrás, bicarbonato de sódio ou viochene (esse maravilhoso galicismo) era uma outra que ficava mais perto de nossa casa. E ainda: a Casanova não é filha única em Campo de Ourique; só na vizinha Rua Francisco de Metrass há mais duas. Mas hoje é à loja de Carlos Chaves que me apetece ir quando quero saber como tirar uma nódoa ou um cheiro irritante.

O homem parece que sabe tudo. E, se calha não saber, nunca arrisca. Aprendeu a prudência e a honestidade com o pai, que foi quem criou o negócio e lhe ensinou alguns truques nas férias grandes passadas quase sempre ao seu lado no balcão. Quando ele morreu, há cinco anos, Carlos herdou-lhe o negócio e apostou que valia a pena largar a carreira de pintor de automóveis. Ganhou a aposta, digo eu depois de sair da loja ao fim de muita conversa trocada com outros clientes e um toque de óleo de verbena no pulso.

A Casanova vai continuar aberta e com Carlos Chaves ao balcão, se tudo correr como esperado. O tempo, já se sabe, é uma incógnita. Ou, como diz o dono desta drogaria e perfumaria da Rua Tenente Ferreira Durão, a uns passos do Mercado de Campo de Ourique: “Estamos presos por agulhas.”