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Entre as vinhas, a descobrir as novidades do Douro

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Estender a manta entre as uvas, ver a paisagem em socalcos pelas janelas de um comboio, repousar numa quinta vitivinícola, relembrar as receitas das avós e os sabores dos produtos locais. A VISÃO Se7e dá-lhe oito novos e bons pretextos para regressar ao Douro

Os piqueniques são uma das últimas novidades da Quinta da Roêda, no Pinhão

Os piqueniques são uma das últimas novidades da Quinta da Roêda, no Pinhão

Lucilia Monteiro

1. Quinta da Roêda, Pinhão

Antes de sair do Pinhão pela ponte metálica, se seguir à esquerda pela estrada que acompanha o leito do rio, encontra uma das mais conhecidas propriedades da Croft, do grupo The Fladgate Partnership, onde estão plantados dos vinhedos mais antigos da região do Douro. É entre socalcos, com o eco mais ou menos próximo das águas a correr, que se fazem os piqueniques da Quinta da Roêda. Basta escolher a sombra mais convidativa. Para quem chega sem aviso ao centro de visitas é rapidamente preparado um cesto de vime clássico, com uma seleção de pães, enchidos e queijos, frutos secos e da época, salada de atum, garrafa de vinho e outras bebidas. Enquanto espera, pode beber um Croft Pink de boas-vindas. Já nos piqueniques premium (só com reserva), a mesa é preparada de antemão e reforçada com outros petiscos, como pastelão de salpicão ou tarte de queijo regional. O programa inclui uma visita guiada, seguindo os trilhos espalhados pelos 107 hectares da quinta, com uma pequena explicação sobre a viticultura, a história da região e as dezenas de castas. No centro de visitas, um edifício amplo de traça típica, criado em 2015, resultante do restauro dos antigos estábulos da Roêda, poderá provar (a partir de €12) e comprar os vinhos da Croft e outros produtos locais, como o azeite. Durante as vindimas, há ainda a experiência de pisa das uvas em três lagares de granito. Pinhão, Alijó > T. 22 010 9830 > seg-dom 10h-18h > provas a partir de €12, piqueniques €25 ou €40 por pessoa

A visita guiada dada por Álvaro Martinho, responsável de viticultura da Quinta das Carvalhas, não permite versões condensadas

A visita guiada dada por Álvaro Martinho, responsável de viticultura da Quinta das Carvalhas, não permite versões condensadas

Lucilia Monteiro

2. Quinta 
das Carvalhas 
, São João da Pesqueira

De repente, Álvaro Martinho dá um salto e agarra-se às raízes que despontam da parede rochosa. Com a outra mão, desfaz pedaços de xisto, para explicar as particularidades do terroir duriense. “É um solo pobre, fragilizado, fissurado, esquelético e, ao mesmo tempo, constitui o nosso maior tesouro”, adianta. Acompanhar a visita guiada do responsável de viticultura da Quinta das Carvalhas, em Ervedosa do Douro, tem qualquer coisa de documentário da National Geographic, tamanha é a riqueza descritiva. Não lhe peçam versões condensadas. O engenheiro agrónomo, 45 anos, precisa de dar largas à sua paixão pelo Douro, explicando como, desde 1997, ajudou a fazer crescer esta propriedade da Real Companhia Velha, em Ervedosa do Douro. Enquanto percorremos os 500 hectares (135 de vinha), no seu jipe vintage, conta como decidiram “transformar as Carvalhas na quinta mais bonita que se possa imaginar”. Os turistas guardavam da região, recorda, “uma péssima primeira imagem, porque não existia a cultura da limpeza”. Perdeu muito tempo a construir estradas, muros e canteiros de flores e socorre-se de fotografias antigas para mostrar as diferenças entre o antes e o depois. Do trabalho vitivinícola também fala, com inegável prazer. Para turistas apressados, há outras alternativas. Três vezes ao dia parte do Pinhão um mini bus panorâmico que percorre a quinta. O tour termina na sala de provas e loja, para testarem os nétares da Real Companhia Velha. Ervedosa do Douro, S. João da Pesqueira > T. 254 738 050 > seg-dom 10h-13h, 14h-19h30 > €12,50 Royal Bus Sightseeing Tour (mai-set, ter-dom 10h, 12h, 15h, 17h; outros meses por marcação), €75 visita vintage, com prova nas ruínas €90

A casa principal da Quinta de la Rosa guarda mobiliário antigo, além de fotos e cartas que permanecem de geração em geração

A casa principal da Quinta de la Rosa guarda mobiliário antigo, além de fotos e cartas que permanecem de geração em geração

Lucilia Monteiro

3. Quinta de La Rosa, Pinhão

“O Douro entrou-me nos ossos”, diz Sophia Bergqvist, a coproprietária da Quinta de la Rosa, com um sotaque britânico pouco suavizado pelas férias ali passadas desde pequena, junto da avó. É ela quem 
segura as rédeas do negócio, preservando as memórias dos antepassados, cuja presença no Douro remonta a 1815. Esta terá sido uma das primeiras propriedades da região a aderir ao turismo de habitação, nos anos 80 do séc. XX, ao mesmo tempo que se lançava na produção própria de vinho do Porto e, no início dos anos 90, de vinho de mesa. O enoturismo cresceu como um labirinto à volta da quinta, sem interferir com o seu normal funcionamento. Existem 21 quartos, divididos entre a charmosa casa principal, o edifício remodelado da Quinta Amarela, outro bloco com mais sete quartos modernos e a villa da Quinta de Lamelas, isolada no topo da colina (arrendada por inteiro). Em maio deste ano, abriram o restaurante Cozinha da Clara, nome escolhido em homenagem à avó de Sophia, cozinheira de mão cheia, servindo o seu livro de receitas como fonte de inspiração. O chefe Pedro Cardoso optou por uma gastronomia de base regional, que privilegia os produtos locais e sazonais. E nunca um tomate coração de boi nos pareceu tão saboroso. Pinhão, Alijó > T. 254 732 254 > seg-dom 13h-15h, 19h-22h30 > 
€35 visita e almoço com prova, €16 visitas guiadas com provas às 11h30, 14h30, 17h (máximo de 20 pessoas), provas a partir de €10; quartos a partir de €135

Tomates orgânicos com puré de pimentos verdes, vermelhos e amarelos, um dos pratos servidos por Ljubomir Stanisic no restaurante Terroir

Tomates orgânicos com puré de pimentos verdes, vermelhos e amarelos, um dos pratos servidos por Ljubomir Stanisic no restaurante Terroir

Pedro Guimaraes

4. Terroir, Lamego

Por altura da abertura do Six Senses Douro Valley, em 2015, falámos num hotel “fora da caixa”, com propostas diferenciadas, desde escaladas nas árvores centenárias do bosque a jantares pela quinta. Essa filosofia perdura, como se pode ver pela inauguração, este verão, do restaurante Terroir, liderado pelo chefe de cozinha Ljubomir Stanisic, com um menu orgânico, saudável e sustentável, apoiado pelos produtos colhidos na horta da propriedade ou os criados através de técnicas ancestrais e naturais, como pickles e kimchi (conservas de vegetais) caseiros. Entre as propostas vegetarianas, está uma couve-flor marinada em especiarias de um caril de Madras caseiro, ou abacates servidos com queijo de cabra, ervas aromáticas e pinhões. Nas sobremesas, saboreia-se um cheesecake salgado confecionado em camadas de queijo fresco e tomate coração de boi naturalmente adocicado, ou um semifrio de espuma de feno com biscoito de linhaça queimada. Apostou-se ainda numa carta de vinhos orgânicos e biodinâmicos, para que toda a refeição esteja em harmonia. Six Senses Douro Valley > 
Quinta de Vale Abraão, Samodães, Lamego > 
T. 254 422 136 > ter-sáb 19h30-22h

A Churchill’s abriu em junho, na Quinta da Gricha, uma Vineyard Residence, com quatro suites

A Churchill’s abriu em junho, na Quinta da Gricha, uma Vineyard Residence, com quatro suites

Lucília Monteiro

5. Quinta da Gricha, São João da Pesqueira

Imediatamente antes de se transpor a placa que assinala Ervedosa do Douro, toma-se à esquerda uma estrada em terra batida. Percorrem-se cerca de três quilómetros entre vinhedos (e muito pó) até se ter a visão da Quinta da Gricha e, um pouco mais ao longe, do rio Douro. “Há formas mais fáceis de provar vinho”, reconhece Maria Emília Campos, administradora da Churchill’s. “É preciso parar um bocadinho no tempo para, de forma relaxada, apreciar este lugar mágico”, acrescenta. Em junho, a produtora de vinhos do Porto abriu as portas da Vineyard Residence, nesta que consideram ser uma das suas propriedades mais emblemáticas. Após a compra da Gricha, em 1999, a Churchill’s esteve concentrada na reconversão das vinhas. Avançar para o restauro da casa em ruínas e transformá-la numa unidade de turismo rural era um sonho de Maria Emília. “Fechei os olhos e disse que tinha de ser”, conta. Mantiveram a traça típica, com pormenores como os tetos em caixotão ou com traves de madeira, e acrescentaram conforto e elegância. Para relaxar, os hóspedes têm o enorme terraço virado para o rio ou a piscina entre vinhas. A quinta faz refeições, seja no pátio das laranjeiras, quando está bom tempo, ou na cozinha dos caseiros. São eles, como sempre aconteceu, quem prepara o arroz de pato ao rancho do Douro, com produtos biológicos cultivados na propriedade. Há ainda programas que propõem aos visitantes apanharem o barco no Pinhão e passarem o dia na Gricha, com almoço e prova incluída. Ali, o mundo pode esperar. Ervedosa do Douro, S. João da Pesqueira > T. 254 422 136 > suíte €250, provas a partir de €15, visitas com almoço €55

A Quinta da Marka dispõe de sete quartos e de um apartamento, todos com uma vista soberba do rio

A Quinta da Marka dispõe de sete quartos e de um apartamento, todos com uma vista soberba do rio

Lucília Monteiro

6. Quinta da Marka, Sabrosa

O conjunto é absolutamente harmonioso. O xisto do revestimento das paredes exteriores faz com que a casa da Quinta da Marka entre na paisagem duriense sem se impor. Um terraço imenso, debruçado sobre o rio Douro, sublinha a localização privilegiada da propriedade de 15 hectares, numa zona classificada como Património Mundial da Humanidade, mais concretamente na freguesia de Covas do Douro. Quando José Carlos Agrellos teve a oportunidade de comprar a quinta, em 1991, não hesitou, reforçando a presença da sua família na região, há mais de 200 anos.
Já na viragem para o século XXI, avançou com a reconversão da casa e da adega, criando instalações completamente modernas. Com a ajuda do filho Carlos, o enólogo da Marka, investiram na produção de vinho de mesa (o primeiro vinho do Porto está para breve) e, mais recentemente, apostaram no enoturismo. Dispõem de sete quartos e de um apartamento, decorados com um estilo clássico, todos com uma vista soberba do rio. “Quem nos procura, vem pela paz e sossego”, sublinha José Carlos Agrellos. As refeições tradicionais, por encomenda, permitem que os hóspedes se deixem ficar pelos mergulhos na piscina e passeios pela propriedade. Criaram também uma sala de provas para quem está de passagem e queira conhecer melhor os seus vinhos. E.N. 322-2, Lugar do Ferrão, Covas do Douro, Sabrosa > T. 93 047 0354 > 
quartos a partir de €140

Um das mais icónicas propriedades da Symington, a Quinta do Bomfim, também convida a um piquenique

Um das mais icónicas propriedades da Symington, a Quinta do Bomfim, também convida a um piquenique

Divulgacao

7. Quinta do Bomfim, Pinhão

É preciso subir entre vinhedos, até ao topo da propriedade da Symington, para se encontrar a Casa dos Ecos e se desfrutar do conteúdo da cesta de vime entregue na receção. Queijos portugueses, bolinhas de alheira com sementes de sésamo e quiche de frango com cogumelos são alguns dos petiscos incluídos nos novos piqueniques da Quinta do Bomfim, acompanhados de vinho de mesa, claro. 
O Porto Down’s LBV ou Down’s 10 anos fica para o final do passeio.
Próxima do centro do Pinhão, abriu as portas ao público em maio de 2015, com uma recuperação exemplar da adega de lagares, onde está uma sala de provas e um terraço contíguo, com esplanada de vistas desafogadas para o Douro. Deve ser feita uma pré-marcação das visitas, que começam junto a um pequeno museu, com fotografias antigas da região, onde se conta um pouco da história da família Symington, há mais de 14 gerações dedicada à produção de vinho. O Bomfim tem três trilhos devidamente assinalados pelas vinhas (entre 15 e 90 minutos de duração), com painéis explicativos sobre o terroir. Além disso, tanto os antigos armazéns de envelhecimento (de 1896), com gigantescos tonéis, como os lagares modernos da adega podem ser visitados. Se as vindimas estiverem a decorrer, os visitantes podem acompanhar toda a azáfama. Pinhão, Alijó > T. 254 730 370 > seg-dom 10h30-19h (reservas obrigatórias) > visita com prova a partir de €12, piquenique €25 por pessoa (mínimo 2 pessoas)

A gastronomia duriense é tratada com requinte no restaurante Toca da Raposa

A gastronomia duriense é tratada com requinte no restaurante Toca da Raposa

Lucilia Monteiro

8. Toca da Raposa, São João da Pesqueira

É a novidade mais antiga de todas estas, mas, sem dúvida, um dos melhores acontecimentos dos últimos anos numa zona onde a oferta de (boa) restauração é escassa. A comida e a carta de vinhos acumulam distinções, críticas elogiosas e clientes fieis que, mesmo enfrentando estradas sinuosas, não dispensam uma paragem em Ervedosa do Douro, para visitar o restaurante Toca da Raposa. 
À espera, está uma casa acolhedora. E estão, sobretudo, “os sabores que os nossos avós nos deixaram”, como descreve Maria da Graça, a cozinheira e proprietária. Uma herança riquíssima, a desta família duriense, a julgar pelos pratos que chegam à mesa, servidos com toda a simpatia pela filha, Rosário. Provamos um bacalhau no pão regional e um ensopado de javali, um regalo para os olhos e para o estômago, mas as especialidades são muitas: os milhos de bacalhau com filetes do mesmo, o polvo no forno ou na brasa, a meada de cabrito, o arroz de salpicão e, nas sobremesas, o bolo borrachão, o pudim de vinho fino e a tarte de amêndoa e chila. A garrafeira honra estes pergaminhos, com a região duriense em óbvio destaque. R. da Praça, 72, Ervedosa do Douro, São João da Pesqueira > T. 254 423 466 > seg-qui 12h-20h30, sex-sáb 12h-21h, dom 12h-17h

LUGARES ONDE VALE SEMPRE A PENA REGRESSAR

Vintage House Hotel, Pinhão
Voltou às mãos da Taylor's e reabriu as portas em 2016, com a imagem renovada. Rústica, sem descurar o luxo. O restaurante Rabelo, com o chefe de cozinha João Santos aos comandos, é uma das grandes apostas da unidade hoteleira. R. Manuel António Saraiva, Pinhão > T. 254 730 230 > a partir €150

Quinta da Pacheca, Lamego
Wine house hotel instalado na conhecida propriedade duriense, numa casa típica e recuperada do século XVIII. Vocacionado para o turismo gastronómico e enológico, tem provas de vinhos, piqueniques e aulas de cozinha à disposição dos hóspedes. R. do Relógio do Sol, 261, Cambres, Lamego > T. 254 331 229 > €290 alojamento com dia de vindima, €75 dia de vindima, €25 visita guiada com prova

Castas e Pratos, 
Peso da Régua
O restaurante e wine bar ocupa um antigo barracão da estação ferroviária. Os pratos são de influência regional, com uma apresentação atrativa. R. José Vasques Osório, Peso da Régua > T. 254 323 290 > seg-dom 10h30-23h > €30 (preço médio)

DOC, Armamar
Neste restaurante, debruçado sobre o rio Douro, construiu--se muita da identidade da cozinha, de matriz regional, do chefe Rui Paula.
 E.N. 222, Folgosa, Armamar > 
T. 254 858 123 > seg-dom 12h30-15h30, 19h30-22h30 > €50 (preço médio)

Quinta do Portal, Sabrosa
O complexo enoturístico inclui armazém de envelhecimento de vinhos desenhado pelo arquiteto Siza Vieira, duas unidades de alojamento rural (uma delas, a Casa das Pipas, foi várias vezes premiada com o Best Wine Tourism) e um restaurante liderado pelo chefe Milton Ferreira. Celeirós do Douro, Sabrosa > 
T. 259 937 000 > alojamento a partir de €120

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, Sabrosa
Cada um dos 11 quartos da Winery House oferece vistas soberbas do Douro. Não faltam visitas guiadas e programas para explorar a quinta e a região. No restaurante Conceitus, privilegiam os produtos locais e sazonais e proporcionam diferentes experiências vínicas. Covas do Douro > T. 22 747 5400 > alojamento a partir de €230

Quinta do Vallado, 
Peso da Régua
À casa tradicional, 
que outrora pertenceu à lendária Ferreirinha, juntou-se, em 2012, um hotel rural de linhas modernas, camuflado entre as encostas do Douro. Programas vínicos e muitas propostas de lazer estão à disposição dos hóspedes. Vilarinho dos Freires, Peso da Régua > T. 254 323 147/93 910 3591 > 
a partir de €200