Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Abriu a Casa do Vinho e do Cante: Brindemos ao vinho de talha, à canção e à poesia popular!

Sair

A nova Casa do Vinho e do Cante, inaugurada esta terça-feira, 26, em Ferreira do Alentejo, quer valorizar as tabernas alentejanas, o vinho de talha, a poesia popular, o receituário tradicional e o cante alentejano. É, precisamente, o vinho de talha, produzido em Portugal há mais de dois mil anos, que faz o tema de capa da VISÃO Se7e desta semana, esta quinta-feira nas bancas

As antigas talhas da taberna Zé Lélito continuam em exposição na Casa do Vinho e do Cante

As antigas talhas da taberna Zé Lélito continuam em exposição na Casa do Vinho e do Cante

Na antiga Taberna Zé Lélito, bem no centro de Ferreira do Alentejo, há cerca de dez anos que não se serviam copos de vinho nem petiscos. Só as seis talhas em barro, de diferentes dimensões e onde era feito o vinho que era dado a beber aos clientes habituais, nunca dali saíram.

Agora o negócio de Zé Lélito, como era conhecido o proprietário José Joaquim Parreira, deu lugar à nova Casa do Vinho e do Cante, aberta ao público esta terça-feira, 26, por vontade da autarquia de Ferreira do Alentejo. “Recuperar e preservar a memórias das antigas tabernas tradicionais” é um dos seus objetivos, explica Aníbal Reis Costa, presidente desta câmara municipal.

Descendo alguns degraus, na Casa do Vinho e do Cante, perto das talhas, aprecia-se ainda o balcão de venda original, feito em mármore, onde Zé Lélito passava a maior parte das horas do seu dia, e algumas mesas antigas. “Esta primeira área, meio obscura, evoca os espaços das antigas adegas descritas por Vitrúvio, e que existiam nalgumas vilas romanas onde se produzia vinho, como a de São Cucufate, na Vidigueira”, descreve Maria João Pina, chefe da Divisão de Cultura e Desporto, responsável pelo quarto núcleo museológico pertencente ao Museu Municipal.

Ao lado, abre-se uma sala dedicada ao vinho de talha, com painéis que explicam os métodos de produção e detalhes históricos deste vinho produzido, em Portugal, há cerca de dois mil anos, desde a época dos romanos. No ecrã, pode assistir-se a dois documentários, um sobre vinho de talha, outro sobre cante religioso. Perto da pequena cozinha, ficam dois compartimentos entre os quais se descobre um alambique, onde na altura se aproveitaria o bagaço de uvas fermentadas para se fazer, através da destilação, aguardente bagaceira.

Mas nem só ao vinho se brinda na Casa do Vinho e do Cante. “Também queremos valorizar outras manifestações de Património Cultural Imaterial, nomeadamente as relacionadas com o saber fazer do vinho em talha, da poesia popular, do Cante e do receituário tradicional que caracterizaram ainda a vida cultural do concelho”, reforça Maria João Pina. Por isso, estão programados espectáculos com os 12 grupos de cante alentejano da região, bem como recitais de poesia popular.

Na antiga Taberna de Zé Lélito os copos vão voltar a encher-se com vinho de talha, aguardente e licores, e pontualmente serão acompanhar por petiscos. Quem sabe se na ementa estão os queijinhos da região, a fava frita, as pardelhas e as peças de caça, a fazer lembrar tempos antigos.

Na antiga taberna de Zé Lélito servia-se vinhos e petiscos

Na antiga taberna de Zé Lélito servia-se vinhos e petiscos

Augusto Caetano

Casa do Vinho e do Cante > R. António Feliciano de Castilho, Ferreira do Alentejo > ter-sex 10-13h, 14h30-18h30, sáb-dom 10h-13h > €2

  • Na talha se faz o vinho

    Comer e beber

    É tradição milenar, fazer o néctar dos deuses em grandes potes de barro. A arte foi sobrevivendo no Alentejo e é agora retomada por afamados produtores vitivinícolas, chegando também às cartas dos mais requintados restaurantes. Ergamos o copo para o beber devidamente