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Especial Algarve: sete sugestões de passeio (porque o sul não é só praia)

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Descer 60 metros em rappel, subir 15 e mergulhar de uma rocha. Descobrir a Foia ou seguir o curso do Arade. Eis sete passeios a comprovar que, no Algarve, há mais para fazer do que estender a toalha no areal

Mário Lino

Coragem precisa-se. Para rumarmos até Sagres, onde é possível fazer Chuck Snorkeling com André Glória, montanhista, guia, mergulhador e mentor da Volta do Mar. Se o leitor está na praia a ler este texto e a atividade mais radical que tem planeada para os próximos dias é virar-se na toalha, deixe-se ficar. Chuck vem de Chuck Norris, a “estrela” de cinema que desfazia a tela com pancadaria e piruetas inacreditáveis. O novo produto turístico espelha essa emoção: “Descemos por cordas para grutas, galerias majestosas e, num calhau de 15 metros, fazemos cliff jumping para a água. Acabamos o dia numa tasca típica em Sagres ou Vila do Bispo”, descreve André, que esteve dez anos fora do País. Se os joelhos já tiverem parado de tremer, poderá visitar a Fortaleza e o Farol de São Vicente, bem como percorrer (a pé ou de BTT) parte da Rota Vicentina, junto a praias semidesertas.

Saltamos para Portimão. Literalmente. Estamos a cinco mil metros de altitude e deixamos o avião, num tandem que demora um minuto em queda livre e atinge os 190 km/hora. Aterramos no aeródromo de Alvor, um dos clássicos na Europa para a prática de paraquedismo. Calma. Respire fundo. Nem tudo no Algarve é a 100 à hora. Subir o rio Arade, por exemplo, é a dez à hora, em modo ecológico. O barco da Sun Boat Tours, movido a energia solar, permite ganhar novo fôlego para percorrer as ruelas mouriscas e o Castelo encarnado de Silves. A cor é-lhe dada pelo arenito vermelho – o grés de Silves –, que torna este monumento, com mais de mil anos de história, singular na região. Por entre as ruas de calçada no interior da muralha impõe-se a visita ao Museu de Arqueologia, que dá a conhecer pedaços milenares da história do Sul de Portugal, ainda a nação não era o que é. Chamava-se de Al Gharb Al-Andalus, Al Gharb, “o Ocidente”, em árabe.

Passeando pelas influências árabes chegamos a Loulé e ao mercado centenário, com cúpulas vermelhas. Outras cores se sobrepõem, porém, ao turista que faz os seus corredores: a das laranjas, dos tomates frescos da horta, dos figos secos com amêndoas, dos queijos, presuntos e tremoços, do peixe acabado de chegar. Subimos para Querença, a dez quilómetros de Loulé. Uma pequena aldeia imaculada, caiada de branco. No caminho, uma paragem obrigatória. O javali estufado está à espera no Monte da Eira, em Clareanes, e com ele as castanhas. O coelho também lá está, dentro da caçarola.

Marcos Borga

Beber água de Monchique
Em busca de um local mais fresco, fazemos uma paragem na Fonte da Benémola, com água o ano inteiro, ou partimos para Monchique. A Foia é o ponto mais alto do Algarve, com 902 metros de altitude e é visita obrigatória no guia dos concelhos mais pitorescos da região. Poderá parar nas Termas e, claro, beber uma água de Monchique. Mas como a fome já aperta, sugere-se A Charrette. Não para andar, antes para comer. O restaurante é outro “clássico” da região e oferece o célebre cozido de couve, lulas recheadas à Monchique e o premiado pudim de mel. Comprar Aguardente de Medronho e Melosa (mistura de mel e aguardente) é outro dos pontos altos numa incursão à serra.

Do cimo da Foia, avistamos Lagos. Cidade histórica e ponto “obrigatório” numa descida ao Algarve. Desçamos então. Lagos vibra com história, e mesmo que hoje em dia sejam mais os “cowboys” do que os índios (da Meia Praia), merece visita prolongada às igrejas, à Marginal, à Marina, ao Forte da Ponta da Bandeira, que tem uma pequena capela no interior. Almoçar pode ser no Escondidinho, onde se come até fartar – dizem – as melhores sardinhas de Lagos. Via verde para tudo o que seja grelhado e da classe científica Pisces (de Lineu), isto é, dos peixes. E porque a ciência é viva, esta é outra das sugestões a considerar em Lagos: Do Astrolábio ao GPS é a exposição permanente, que faz a ponte entre o passado e o presente, sob a égide dos Descobrimentos.

Rumamos agora para leste, em direção a Tavira. Sobrevoamos a cidade, sem deixar de pisar o chão. A Câmara Obscura, montada dentro de um antigo depósito de água é um sistema de lentes que funciona como um drone, dando uma vista global de Tavira em tempo real. Dá para ver a ria, a Praia do Barril, já na ilha de Tavira, um dos destinos habituais de verão e que se alcança a pé ou de comboio, a partir das Pedras d’El Rei. A olhar a ria e a praia, está o Quatro Águas, um dos restaurantes intemporais no Sotavento algarvio, implantado no local com o mesmo nome, a clamar por doses generosas de amêijoas ou cataplanas de marisco.

Fechamos em Ossónoba, Faro nos nossos dias. Na Vila Adentro é devida uma visita à Sé Catedral, datada de 1251. Pensa-se que terá sido erguida sobre as fundações de uma basílica paleocristã e de uma mesquita. O edifício contém vários elementos góticos e um importante painel de talha dourada, bem como um órgão com mais de 300 (!) anos. Junto à Sé, tempo para um copo n’O Castelo, um bar com vista para a ria Formosa, com música ambiente, infusões de chá e cocktails vários. De seguida, uma visita à ilha de Faro. Deixe o automóvel no Largo de São Francisco (estacionamento grátis) e apanhe o barco junto ao Arco da Porta Nova, evitando as filas de trânsito em terra. De volta à cidade, vai querer jantar n’A Venda. Parece uma casa de família aberta para a rua, tal qual as casas antigas das avós. O serviço é também ele familiar, orientado por um casal jovem, a Ana e o Vasco. Tibornas de sardinha, ovos com farinheira e bacalhau verde com pasta de feijão, acompanhados de bom pão e vinho fazem deste pequeno um grande local para o final de um dia de férias, com sabor a sal e a sul.

Guia de viagem

Sagres
Volta do Mar – Atividades de Aventura (Sagres e Lagos) > T. 91 070 9925 > Chuck Snorkeling €183 (uma pessoa) e €79 (por pessoa, em grupos de seis pessoas)
Fortaleza de Sagres > €3
Farol do Cabo de São Vicente > EN 268, Sagres > T. 282 624 234 > grátis

Portimão/Silves
Skydive Algarve > Aeródromo Municipal de Portimão, Montes de Alvor, Alvor, Portimão > T. 282 496 581 > €235 por pessoa/€335 com vídeo e fotos
Skydive Seven > Aeródromo Municipal de Portimão, Montes de Alvor, Alvor, Portimão > T. 93 713 7137 > €199 por pessoa, €259 com vídeo
Sun Boat Tours > T. 91 991 9450 > €35 adultos, €17,50 crianças dos 3 aos 10 anos (regresso de transfer incluído)
Castelo de Silves > seg-dom 9h-21h30 > €2,80
Museu de Arqueologia de Silves > R. da Porta de Loulé, 14, Silves > T. 282 444 832 > seg-dom 10h-17h30 > €2,10 (bilhete combinado museu+castelo €3,90)

Loulé
Mercado de Loulé > R. José Fernandes Guerreiro 34, Loulé > seg-sáb 7h-15h
Restaurante Monte da Eira > Clareanes, Loulé > T. 289 438 129/96 663 4201 > seg-dom 12h30- -14h30, 19h-22h15 (agosto só jantares)
Fundação Manuel Viegas Guerreiro > Querença > T. 289 422 607 > seg-dom 9h30- -13h, 14h-17h

Monchique
Restaurante A Charrette
> R. Dr. Samora Gil, 30-34, Monchique > T. 282 912 142 > seg-dom 10h-22h

Lagos
Forte da Ponta da Bandeira
> Av. dos Descobrimentos, Lagos > €3
Restaurante O Escondidinho > R. do Cemitério, Lagos > seg-sáb 12h-15h, 19h-22h, dom 12-15h
Centro de Ciência Viva de Lagos > R. Dr. Faria e Silva, 34, Lagos > T. 282 770 000 > €3

Tavira
Câmara Obscura
> Cç. da Galeria, 12, Torre de Tavira, Tavira > T. 281 322 527 > seg-dom 10h-17h > €4
Comboio Pedras d’El Rei > €1,30
Restaurante Quatro Águas > Estr. das Quatro Águas, Tavira > T. 281 381 272 > seg-dom 12h-22h

Faro
Sé Catedral
> Lg. da Sé, Faro > seg-sex 10h15-17h (até às 18h30 no verão) > T. 289 806 632 > €3
Barco para a ilha de Faro > Arco da Porta Nova, Faro > €3 ida e volta, crianças €1,50
Bar O Castelo > R. do Castelo, 11, Faro > T. 91 984 6405 > seg-dom 10h30-4h
Restaurante A Venda > R. do Compromisso, 60, Faro > T. 289 825 500 > ter-dom 12h30- -16h, 19h-24h (agosto só fecha ao domingo)