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Especial Algarve: sete discotecas e bares que resistem no verão algarvio

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Nasceram nos anos 80 e ainda hoje sobrevivem às modas badaladas de cada verão. São os sete bares e discotecas mais antigos do Algarve, clássicos, intemporais e sempre na boa

Mário Lino

A Kiss é a discoteca mais antiga do Algarve

A Kiss é a discoteca mais antiga do Algarve

José Caria

A vida não tem sido fácil para a Kiss, a discoteca mais antiga do Algarve. Fundada em 1981, em Albufeira, tem visto os seus clientes assediados pelas outras, mais novas, mas é sobretudo a conveniência dos bares com horários alargados que traz a maior ameaça. Ainda assim, está viva e recomenda-se: “Atendendo à sazonalidade no Algarve e ao horário de fecho dos bares, diria que o que nos diferencia é ainda conseguirmos trabalhar três meses por ano, ao passo que a maioria das discotecas só trabalha um mês”, ironiza o empresário Liberto Mealha. Hoje, é o seu filho, Carlo, quem lidera o projeto, remodelado no ano passado. Às sextas, domina o reggaeton com djs espanhóis e, aos domingos, as duas pistas são inundadas por temas trazidos por djs holandeses. Com capacidade para cerca de mil pessoas, o Kiss Club é um dos “trintões” do verão algarvio.

A mesma idade tem o bar Columbus, nas arcadas de um edifício com mais de 500 anos, perto das Docas, em Faro. Um convite para quem gosta de testar novas bebidas. Miguel Gião, o irmão Ricardo e o pai José são os rostos deste bar que já entrou no Top 10 da revista Forbes, a par de outros em Nova Iorque e Paris. O que o diferencia? “Temos um menu com 40 páginas em formato de jornal, porque queremos dar atenção ao cliente, como se fosse nosso pai, namorada ou filho”, explica Miguel. Os produtos frescos e o acompanhamento das novas tendências são traços da identidade do Columbus. A comida é simples: snacks, tostas e tapas. Já as bebidas são complexas e muitas delas reinterpretações de “clássicos”, como a Marajoca, inspirada no Mojito, com vodka, maracujá, lima e manjericão, ou ainda o Royal Blood, à base de vermute e servido com espuma de tarte de limão, queimada com um maçarico.

Em Vilamoura, o Patacas Bar é um dos ícones que garante um bom aquecimento para as noites mais longas. Filipe Silva, ou melhor, o Pataquinhas, tem agora as rédeas do estabelecimento, passadas pelo pai Carlos. O Patacas faz 30 anos em setembro e, na forma e no conteúdo, mantém o traço original. “É um bar familiar que serve de ponto de encontro ao início da noite, para os jovens e menos jovens à procura de um café e de uma conversa. Por isso, a música é de todos os estilos e serve de ambiente”, descreve Filipe. Aberto todo o ano, disponibiliza na garrafeira de gins mais de 50 marcas diferentes. Quanto à comida, o Prego no Pão é um clássico.

Voltamos a Albufeira, à hora de strip. Na strip (isto é, na faixa) de bares de Albufeira, resiste o Liberto’s. Tal como a Kiss, é um dos sítios mais antigos da noite (abriu em 1986). O segredo? A seleção de clientes, garante Liberto Mealha. A música convida a dançar, sempre comercial exceto às sextas, dia em que chega o afro-beat. O dj residente é Micas e durante a semana há bandas ao vivo. Detrás do balcão, o barman Vitó traz-nos o cocktail Bang Bang, propenso à partilha por ter um litro.

O bar Columbus fica perto das docas de Faro, nas arcadas de um ediíficio com mais de 500 anos

O bar Columbus fica perto das docas de Faro, nas arcadas de um ediíficio com mais de 500 anos

Até ao fim do mundo
Mais para oeste, em Lagos, há quem rivalize na arte de bem fazer bebidas. As portas do Bon Vivant abrem-se a quatro ambientes diferentes: da cave ao rés do chão, do 1º andar ao terraço de um edifício histórico da zona antiga da cidade. “O bar de entrada é mais clássico, passamos jazz ao início da noite e, depois, vai-se transformando. A cave é dance floor, virada mais para os jovens e só abre em julho e agosto”, diz Marco Oliveira, o barman premiado e esforçado que chegou por mais de uma vez à final do World Class Barman. Do rés do chão, onde reinam as bebidas mais rápidas de preparar, passamos ao México, com tequilas célebres como a Don Julio sujeitas à criatividade de Marco: “Servimos, por exemplo, a Margarita Atotonilu, com sal apimentado e extrato de fumo que lhe dá um sabor muito diferente, ou ainda o cocktail 5 de Maio, Dia do México, que leva xarope de jalapeños, sumo de tomate, morango e tequila.” Quando tem tempo, sobretudo no inverno, prepara as especialidades que melhor sabe fazer, contando as estórias por detrás dos ingredientes. O bar, que funciona todo o ano, abriu em 1987.

O Outro Bar, virado para a Praia da Rocha, em Portimão, também alinha pelo mesmo calendário. Aberto o ano inteiro, aposta em música variada, do reggaeton ao house. Aos comandos está Salvador Varela, o Dj Boss, que toca sempre com uma bela vista. “Entre nós e o mar, só a areia da praia”, afirma. A carta de caipirinhas, mojitos e daiquiris (€4 a €5) é ponto de atração por aqui. “Há 19 anos que funcionamos em pleno, com altos e baixos apesar da abertura de outros bares. Hoje já vêm também os filhos e os sobrinhos, são várias gerações”, diz.

De carro chega-se ao Dromedário, um bar em Sagres. Andreas Bergmann recebe-nos com um sorriso. O alemão veio de férias em 1984 e conheceu uma portuguesa, depois viu Sagres, apaixonou-se e ficou. No ano seguinte, avançou: “Era a tasca do velho Borba, vendia lixívia, anzóis e medronho. Paguei cinco contos pela primeira renda”, recorda. Sagres ainda era mais no fim do mundo do que é hoje, mas já havia turistas, de mochila às costas. Vinham da Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra, México e África do Sul. Andreas costumava dizer: “Não precisamos de viajar. O mundo vem até nós.” As novas escolas de surf trouxeram parte desse ambiente. Na ementa, juntam-se os “craft burgers”, hambúrgueres artesanais, alguns deles vegan, aos produtos locais como o queijo de cabra e doce de figo. Serve perto de 50 cocktails, mas há um que destaca: o “Pineapple Express”, uma mistura de quatro runs aromáticos, sumo de ananás natural, sumo de limão e açúcar. É fácil tornarmo-nos fãs, do cocktail e do bar, “pintado” com animação pelos barmen, quase todos treinados no flair, o malabarismo com copos e garrafas. “Acho que é isso que faz a diferença, ainda que pareça um cliché. Gostamos mesmo disto. É muito mais do que ganhar dinheiro, é um modo de vida”, confessa o dono do único Dromedário que vive há mais de 30 anos no ponto mais sudoeste da Europa.

O Dromedário, em Sagres, é um dos bares trintões' do verão algarvio'

O Dromedário, em Sagres, é um dos bares trintões' do verão algarvio'

Pedro Monteiro

Discoteca Kiss > R. Vasco da Gama Edifício Kiss, Albufeira > T. 289 515 693 > €15,00 (entrada) e €20,00 (com direito a uma bebida) > abre julho, agosto e setembro

Liberto’s Bar > Tv. Antero de Quental, 59, Albufeira > T. 91 170 0999 > €7,50 ou €10,00 com direito a uma bebida (consumo mínimo) > aberto todo o ano

Bon Vivant > R. 25 de Abril, 105, Lagos > T. 93 571 8305 > €6 (Mai-Tai), €5 (Expresso Martini)

Outro Bar > R. António Feu – Praia da Rocha > T. 92 443 3927 > entrada livre > €4,00 a €5,00 (Caipirinhas e Mojitos)

Columbus Bar > Pç. Dom Francisco Gomes, 13, Faro > T. 91 777 6222 > entrada livre > €7,50 (Marajoca), €7,50 (Royal Blood)

Patacas Bar > Lg. Soares da Costa – Edif. Cruzeiro do Sul, Lj. A – 2, Vilamoura > T. 289 314 247 > €5 (Prego no Pão)

Bar Dromedário > Av. Comandante Matoso, Sagres > T. 282 624 219 > entrada livre > €7,50 (Pineapple Express), €10 (hambúrguer carne borrego e vaca)