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Vou só ali ao cantinho

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Chamem-lhe anacronismo – e é – mas tem uma certa graça existirem ainda urinóis públicos colocados estrategicamente em cantos de zonas de grande movimento da cidade. O mais fotografado será com certeza o do Largo do Chão da Feira, no enfiamento da Travessa do Funil, muito perto do Castelo de S. Jorge.

Para que não restem dúvidas do que se trata, aquela espécie de biombo de ferro pintado de verde-garrafa tem a companhia de uma placa com a palavra urinol e um menino recortado a fazer o que os meninos costumam fazer nos cantinhos. Deve ser o canto do bairro que mais aparece no Instagram.

Desconhecido da maioria dos lisboetas que não moram em Olivais Velho é o urinol que fotografámos a pensar nesta croniqueta. Há mais de trinta anos, a Praça da Viscondessa dos Olivais, onde ele tem a companhia da igreja de Santa Maria dos Olivais, mais um cruzeiro, um chafariz e um coreto, foi considerada de interesse público.

Hoje, o cheiro a amoníaco e o lixo acumulado naquele canto leva-nos a torcer o nariz à classificação e a querer fugir dali ao fim de duas ou três fotografias. Uns dias depois, só mesmo o cheiro a sardinhas assadas em noite de arraial e o trono de Santo António foram capazes de nos reconciliar com mais esta memória.