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É abrir os olhos

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Se há rua em Lisboa que nos deixa com vontade de escrever romances é a da Junqueira. Haja unhas porque os seus palacetes fechados e abandonados cheiram a histórias por todos os lados. É o caso do palácio da Quinta das Águias, ao fundo do número 138, perto do Hospital Egas Moniz. Mesmo coberto de graffiti, percebe-se por que razão foi considerado um dos mais belos da capital e de todo o reino.

A sua história começou em 1713, ano em que um advogado da Casa da Suplicação, o supremo tribunal da época, ordenou a construção. Duas décadas depois, a propriedade passaria para as mãos de Diogo Mendonça Corte-Real, secretário de Estado de D. José, que acabou desterrado na Índia. E, daí para a frente, foi um nunca mais acabar de donos, remodelações e quezílias.

O palácio tem 42 assoalhadas, uma capela, um belo jardim e ainda alguns azulejos (mais de 900 foram saqueados num ai, em 2006). Está à venda por 17,5 milhões de euros, e se há conselho que vale a pena seguir é aquele que alguém escreveu no longo muro lateral que dá para a Rua da Boa-Hora: “Abre os olhos”. Antes que os investidores lhe peguem e o transformem em mais hotel de charme ou condomínio de luxo.