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Azar dos Távoras

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Sempre que passo à frente do Beco do Chão Salgado, ao pé dos Pastéis de Belém, lembro-me da minha amiga Mariana. Éramos pequenas quando me falou pela primeira vez do “Processo dos Távoras” antes de mais uma descida de skate.

Na altura, eu nem sabia que ela descendia do Duque de Aveiro pelo lado da mãe e do Marquês de Távora pelo lado do pai; havia vários brasonados na nossa rua, mas as vénias iam para quem jogava melhor às escondidas. Muito menos tinha ouvido falar de um dos episódios mais sangrentos da História de Portugal.
“Já viste a coincidência?”, dizia a Mariana, e eu a leste. “Tantos anos depois do que aconteceu, o meu pai e a minha mãe casarem-se, é incrível.” Tinha havido alianças matrimoniais entre as duas famílias, mas seria a tragédia – e o ódio ao Marquês de Pombal – a uni-las ainda mais.

Em 1759, os Marqueses de Távora foram condenados por terem alegadamente conspirado para matar o rei D. José e pôr o Duque de Aveiro no seu lugar. Seriam todos decapitados, o palácio do duque demolido e os terrenos salgados. “Neste terreno infame se não poderá edificar em tempo algum”, lê-se na base da coluna que assinala a execução. Duzentos e cinquenta e oito anos depois, o monumento mal espreita entre prédios e ainda bem.