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14 pequenos grandes museus em todo o País

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Recordar o triciclo da infância e descobrir a história do sabão no mundo. Ouvir música em grafonolas ou viajar no tempo com Pedro Álvares Cabral. Tudo isto se faz nestes 14 museus que, além do mais, também revelam o que há para aprender pelo País fora

Joana Loureiro, Susana Lopes Faustino e Susana Silva Oliveira

No gramofone Pathé Theatre, em exposição no Museu da Música Mecânica, em Palmela, 
ouvia-se ópera. As duas campânulas permitiam 
que se escutassem as várias árias sem interrupções

No gramofone Pathé Theatre, em exposição no Museu da Música Mecânica, em Palmela, 
ouvia-se ópera. As duas campânulas permitiam 
que se escutassem as várias árias sem interrupções

Mário João

1. Museu da Música Mecânica, Palmela

Visto de fora, não se adivinha o que lá está dentro: cinco salas de exposição com caixas de música, autómatos, realejos, fonógrafos e gramofones. Tudo peças raras e a funcionar, construídas entre finais do século XIX e os anos 30 do século XX. Trata-se de uma coleção privada com mais de 600 peças, propriedade do colecionador e mentor do Museu da Música Mecânica, Luís Cangueiro. Inaugurado em outubro do ano passado, numa zona rural do Pinhal Novo de nome Arraiado, o museu foi implantado em terreno próprio e ganhou vida com um projeto arquitetónico da autoria de Miguel Marcelino. “Não estamos assim tão longe de Lisboa, as acessibilidades são boas e descentraliza-se a cultura”, explica Luís Cangueiro. O edifício de linhas retas foi inspirado nas caixas de música e, a zona côncava por onde se faz a entrada, nas campânulas dos gramofones. Lá dentro, a magia acontece. Todas as relíquias que Luís Cangueiro foi reunindo ao longo de 30 anos, a maior parte adquirida em antiquários especializados na Europa, estão a funcionar. “Fazemos questão de as pôr a tocar para que as pessoas tenham o privilégio de ouvir música como há 100 anos se ouvia”, diz o colecionador. A peça mais recente em exposição é uma Jukebox Wurlitzer de 1947 de fabrico americano e, durante a visita, encontramos outras raridades: a Typatune (1930, Inglaterra), uma máquina de escrever que não escreve mas faz melodias, um raro Violino Mills (1912, EUA), já movimentado por corrente elétrica, o Seybold, que junta piano, acordeão e percussão. Há ainda grafonolas, como a que as testemunhas de Jeová utilizavam na década de 30 (funcionava ao alto) ou o modelo americano feito de propósito para os soldados americanos da II Guerra Mundial. Qt. do Rei, R. das Alegrias, Arraiados, Pinhal Novo, Palmela > T. 21 238 1083 > ter-dom 14h30-17h30 > €5, €4 (maiores de 65 anos), €3,50 (3-18 anos), menores 2 anos grátis

A escultura 'Rei Amador' (nome pelo qual ficou conhecido Amador Vieira, líder da revolta de escravos, em São Tomé, em 1595) foi feita em casca de bananeira por Eduardo Malé Fernandes

A escultura 'Rei Amador' (nome pelo qual ficou conhecido Amador Vieira, líder da revolta de escravos, em São Tomé, em 1595) foi feita em casca de bananeira por Eduardo Malé Fernandes

Filipe Farinha

2. Núcleo Museológico Rota da Escravatura, Lagos

É de tablet na mão que se faz a maior parte da visita ao Núcleo Museológico Rota da Escravatura, em Lagos. Inaugurado em junho de 2016, ocupa os dois pisos do edifício da Vedoria, onde existiu aquele que é considerado o primeiro mercado de escravos da Europa. No piso térreo, faz-se a introdução ao tema em painéis interativos. Depois, para chegar ao corpo principal da exposição, é preciso sair até à rua, virar à direita para a Rua Senhora da Graça, entrar na porta verde-água e subir ao primeiro andar. É aqui que está a parte mais interativa e tecnológica do núcleo. Os visitantes são instruídos a apontar o tablet para pequenos ícones, a partir dos quais se descobrem os conteúdos. Expostos de forma mais tradicional, em vitrinas, estão também objetos pessoais, utensílios, réplicas e documentos. Pç. do Infante D. Henrique, Lagos > ter-dom 10h-12h30, 14h-17h30 > €3, €1,50 (12-18 anos, maiores de 65 anos), menores de 12 anos grátis

O Brasil foi descoberto por acaso ou intencionalmente? No início do percurso pelo Museu dos Descobrimentos, em Belmonte, cada visitante terá de fazer a sua opção

O Brasil foi descoberto por acaso ou intencionalmente? No início do percurso pelo Museu dos Descobrimentos, em Belmonte, cada visitante terá de fazer a sua opção

Lucília Monteiro

3. Museu dos Descobrimentos, Belmonte

Poucos esperariam encontrar um museu com este formato interativo, recorrendo às novas tecnologias e a conteúdos multimédia, na vila de Belmonte. Aberto em 2009 pelo município, o também conhecido como Centro de Interpretação À Descoberta do Novo Mundo pretende dar a conhecer, estudar e divulgar o feito de Pedro Álvares Cabral (um filho da terra) e, ao mesmo tempo, prestar homenagem ao Brasil. Ao longo das 16 salas, os visitantes do Museu dos Descobrimentos são constantemente surpreendidos com as propostas “fora da caixa”, apetecíveis para miúdos em idade escolar.
Como um túnel do tempo, a visita retrocede a 1500. Os sons transportam-nos para o frenesim da preparação da armada naval, no porto de Lisboa. Numa sala abobadada de madeira, similar ao interior de uma nau, ecrãs táteis falam sobre os participantes na viagem e as suas funções, as embarcações e os instrumentos usados. Encaminham-se depois os visitantes para um pequeno filme, que recria a viagem em alto mar, as tempestades e, finalmente, o “terra à vista!”, com a imagem do Monte Pascoal a anunciar a chegada a Vera Cruz. Na sala Indígena, um simulador mostra as oferendas entre portugueses e índios, e como uma indumentária oferecida pelo chefe dos Pataxós testemunha os laços mantidos entre a tribo e Belmonte, participando todos os anos nas festas do concelho. De seguida, um corredor escuro conduz à sala da Biodiversidade, com fibras óticas penduradas no teto a imitar lianas e ecrãs com dados sobre a fauna e a flora da Floresta Amazónica e da Mata Atlântica. Vídeos e imagens sobre a expansão do Brasil, a imigração, a diáspora e o encontro ajudam a compor o retrato da nação. Tanto se abordam temas duros, como a escravatura, como se dá largas ao “jeitinho brasileiro”, seja numa sala onde se experimenta a musicalidade de diferentes instrumentos ou noutra em que se fingem umas compras no mercado repleto de frutos exóticos. A diversão está garantida. Solar dos Cabrais, R. Pedro Álvares Cabral, Belmonte > T. 275 088 698 > ter-dom 9h30-13h, 14h30-18h > €5

Em 1980, o colecionador Aquiles da Mota Lima doou, ao município 
de Tomar, cerca de 
43 mil caixas de fósforos, reunidas 
ao longo 
de 27 anos

Em 1980, o colecionador Aquiles da Mota Lima doou, ao município 
de Tomar, cerca de 
43 mil caixas de fósforos, reunidas 
ao longo 
de 27 anos

Mario Joao

4. Museu dos Fósforos, Tomar

“Quando era mais nova, corria tudo desde cafés, tabernas, restaurantes, hotéis, fábricas e lojas à procura de caixas de fósforos”, diz Maria Helena Lima, 90 anos, filha do músico, maestro, realizador, jornalista e colecionador Aquiles da Mota Lima. “Cheguei a ir com a minha mãe a Madrid de propósito só para comprar caixas de fósforos”, recorda Maria Helena, diretora benemérita do Museu dos Fósforos, aberto em 1989, no Convento de São Francisco, em Tomar. Na coleção, que começou a ser alimentada por Aquiles Lima, em 1953, durante uma viagem a Londres para assistir à coroação de Isabel II, existem aqui caixinhas anteriores a 1894, oriundas de Itália. “Já as mais recentes, foram trazidas este ano do Sri Lanka por uma familiar”, conta. Ao longo de seis salas, podem ver-se cerca de 43 mil exemplares, provenientes de 127 países. Nelas estão representadas Isabel II (Reino Unido), instrumentos musicais (Alemanha), filmes e vedetas (Rússia), mitos e artes lendárias (Japão), campanhas eleitorais com políticos portugueses como Cavaco Silva, Mário Soares, Freitas do Amaral e Maria de Lourdes Pintasilgo, horóscopos e publicidades ao sabão Lavax e às sopas Maggi. S.P. Convento de São Francisco, Av. General Bernardo Faria, Tomar > T. 249 329 814 > ter-dom 10h-12h, 15h-18h > grátis

O Museu do Brinquedo Português, em Ponte de Lima, está instalado na centenária Casa do Arnado, na margem direita 
do rio Lima

O Museu do Brinquedo Português, em Ponte de Lima, está instalado na centenária Casa do Arnado, na margem direita 
do rio Lima

5. Museu do Brinquedo Português, Ponte de Lima

São mais de 20 mil peças, reunidas pelo colecionador Carlos Anjos, a contar a história do brinquedo e dos fabricantes portugueses, entre 1897 e 1986. Instalado na centenária Casa do Arnado, na margem direita do rio Lima, as salas do museu foram desenhadas como se se tratassem das carruagens de um comboio de zinco. O visitante segue numa viagem nostálgica pela evolução do brinquedo, sensível às transformações sociopolíticas e aos materiais predominantes de cada época. Existem ainda três salas temáticas, dedicadas aos instrumentos musicais e aos sons, aos jogos e aos brinquedos de guerra, com muitas armas e soldadinhos de chumbo. A exposição termina junto a uma enorme e pormenorizada maqueta de uma cidade, por onde circula um comboio elétrico. Para despertar sorrisos a netos, pais e avós. Casa do Arnado, Lg. da Alegria, Arcozelo, Ponte de Lima > T. 258 240 210 > ter-dom 10h-12h30, 14h-18h > €1,50 (c/desconto) a €3, €6 famílias

O Museu do Sabão tem visitas guiadas para grupos que incluem uma atividade: aprender a fazer sabonete de glicerina

O Museu do Sabão tem visitas guiadas para grupos que incluem uma atividade: aprender a fazer sabonete de glicerina

Nuno Veiga

6 e 7. Museu do Sabão e Núcleo Museológico das Mantas e Tapeçarias, Belver

Junte-se cinzas, cal, borras de azeite e água para fazer o sabão. Depois, adicione-se um monopólio régio, apimente-se com histórias de contrabandistas e revoltas, e eis que temos um museu. Em Belver, única freguesia do Alentejo que fica aquém do Tejo, em território que no mapa é da Beira Baixa, onde durante 400 anos se produziu o sabão mole, utilizado na lavagem de roupas, tecidos e sobrado de madeira. No século XVI aqui se instalou a Real Fábrica do Sabão, justificada pela qualidade e abundância das matérias-primas. E também pelo rio, que corre lá em baixo em direção a Lisboa, ideal para fazer o transporte em barcaças até à corte. O monopólio real era efetivo: confiscavam-se cinzas e borras do azeite, e quando, no século XIX, chegou a ordem para entrar casa adentro à procura de produção artesanal, deu-se a revolta dos saboeiros, assim ficaram conhecidos os habitantes de Belver.

Aberto em 2013, na antiga escola primária, neste Museu do Sabão, guardam-se as memórias de uma terra, para contar também a história do sabão no mundo. Espalhados por três salas, há embalagens antigas do detergente Omo e do sabonete Lux, trajes típicos, utensílios, um painel interativo e uma vista privilegiada para o castelo medieval.

A história da fábrica de mantas, tapetes e linhos de Belver está marcada pelo empreendedorismo de uma mulher: Natividade Nunes da Silva

A história da fábrica de mantas, tapetes e linhos de Belver está marcada pelo empreendedorismo de uma mulher: Natividade Nunes da Silva

José Caria

A “receita” do sabão junta-se a outros pontos de interesses da vila: o passadiço de madeira que percorre a margem do Tejo até à praia fluvial do Alamal e, desde novembro passado, o Núcleo Museológico das Mantas e Tapeçarias. É junto à ponte metálica (em obras vai para mais de um ano) que se descobre a história de Natividade Nunes da Silva, mulher à frente do seu tempo que, em 1938, ali abriu uma fábrica de tecelagem. “De mantas, feitas por inteiro em teares de dois metros, vendidas nas grandes lojas de Lisboa e do Porto”, conta Olga Teixeira, funcionária do pequeno museu, com um entusiamo contagiante. O mesmo com que se senta ao tear para explicar como se faziam tapetes, o ponto do bago de arroz ou se fiava a lã e o linho em instrumentos com nome de sarilho, dobadoira ou roda caneleira. I.B.

Museu do Sabão > R. de São Miguel, 22 > T. 241 635 060 > ter-sex 10h-13h, 14h-18h, sáb-dom e fer 10h-13h, 14h30-18h > Núcleo Museológico das Mantas e Tapeçarias > Bairro Tropa, 4 > qua-sex 10h-13h, 14h-18h, sáb-dom e fer 10h-13h, 14h30-18h > €2 (adultos), €1 (6-12 anos, maiores de 65 anos)

Ainda durante o mês de abril, no Museu de Portimão, há de abrir o novo restaurante Faina. Vai servir conservas e pratos inspirados na dieta mediterrânica

Ainda durante o mês de abril, no Museu de Portimão, há de abrir o novo restaurante Faina. Vai servir conservas e pratos inspirados na dieta mediterrânica

Rui Nicolau

8. Museu de Portimão, Portimão

É ao lado do rio Arade e com a ciclovia a passar-lhe à porta que se faz a entrada para o Museu de Portimão. A localização junto à água, no antigo edifício da fábrica de conservas de peixe Feu Hermanos, não foi obra do acaso. Em cerca de 5000 metros quadrados de área expositiva, mostram-se as antigas rotinas dos trabalhadores e fábricas da indústria conserveira. Os núcleos A Vida Industrial e Desafio do Mar, com figuras de grandes dimensões a retratar as rotinas de fabrico das conservas de peixe, do mar à lata, são dos mais curiosos. Mas é na cisterna da fábrica que se desce ao fundo do mar. No núcleo Ocean Revival – Parque Subaquático de Portimão, recria-se o interior de um submarino, os visitantes descobrem o que se passa debaixo de água, nos navios que foram afundados a cerca de três milhas da praia de Alvor. Pelas várias salas do museu, há ainda coleções que dão a conhecer o património histórico e etnográfico da região, a construção naval e a pesca, a estiva e a latoaria. R. D. Carlos I, Portimão > T. 282 405 230 > set-jul: ter 14h30-18h, qua-dom 10h-18h, ago: ter 19h30-23h, qua-dom 15h-23h > €3, €1,50 (16-25 anos, maiores de 65 anos), menores 15 anos grátis

O Monte dos Pássaros, junto à antiga estrada que ligava a Luz a Mourão, é o único edifício sobrevivente da antiga aldeia. Hoje, é um núcleo etnográfico e está integrado no Museu da Luz

O Monte dos Pássaros, junto à antiga estrada que ligava a Luz a Mourão, é o único edifício sobrevivente da antiga aldeia. Hoje, é um núcleo etnográfico e está integrado no Museu da Luz

Luis Barra

9. Museu da Luz, Mourão

O edifício forrado a pedra de xisto, à beira do grande lago de Alqueva, da autoria dos arquitetos Pedro Pacheco e Marie Clément, está perfeitamente integrado na paisagem da aldeia da Luz. Da nova aldeia da Luz, bem entendido, que a antiga ficou submersa pelas águas da barragem, em 2002. É graças a ela que hoje existe o Museu da Luz. Desde 2003 que aqui se dão a conhecer, através de vários suportes, vídeo, fotografia, objetos e documentos, as mudanças ocorridas no local. Há inclusive uma pequena janela onde nos podemos assomar e ver a localização da antiga povoação, assinalada por uma árvore que se mantém de pé no cimo de uma elevação. Na Sala da Memória, estão expostas peças dos espólios arqueológico e etnográfico, uma pequena mostra que dá a conhecer as tradições, costumes e passado da região. A partir do Museu da Luz, é ainda possível explorar a paisagem envolvente em passeios de bicicleta, a pé ou de barco. Lg. de Nª Srª da Luz, Luz > T. 266 569 257 > set-jun: ter-dom 9h30-13h, 14h30-17h30; jul-ago: 10h-13h, 14h30-18h30 > €2, €1 (15-25 anos, maiores de 65 anos), menores de 15 anos, domingos e feriados até às 13h grátis

No Museu do Triciclo, em Mesão Frio, está em exposição um dos triciclos mais antigos. Tem a forma de cavalinho, veio de França e data de 1821

No Museu do Triciclo, em Mesão Frio, está em exposição um dos triciclos mais antigos. Tem a forma de cavalinho, veio de França e data de 1821

Lucília Monteiro

10. Museu do Triciclo, Mesão Frio

É sobretudo, a concretização do sonho de um homem que nunca teve um triciclo na infância e encontrou um, pela primeira vez, aos 22 anos, quando passeava pela Feira da Vandoma, no Porto. Jorge Rodrigues, o mais velho de nove irmãos, apaixonou-se pelo veículo de três rodas, em madeira e ferro, e não mais parou de adquirir outros, com diferentes materiais e origens. De feiras de velharias a quintas do Douro, foi comprando grande parte dos 600 triciclos – grandes e pequenos, para adultos e crianças – que hoje vemos no chão e nas paredes do Museu do Triciclo, aberto na Quinta de S. José, em Mesão Frio, precisamente onde Jorge trabalhou nas vindimas, tinha ele apenas oito anos. “Tudo isto me parece um sonho”, conta, emocionado. Certo é que aqui possui uma coleção de triciclos oriundos dos quatro cantos do mundo (um dos mais antigos, em forma de cavalinho, veio de França e data de 1821). É “um museu sentimental”, diz. F.A. R. Porta do Douro, Mesão Frio > T. 93 608 8927 > ter-dom 10h-18h > €3 a €4, menores 6 anos grátis

O Museu do Papel, em Santa Maria da Feira, foi eleito, em 2011, o Melhor Museu Português pela 
Associação Portuguesa 
de Museologia

O Museu do Papel, em Santa Maria da Feira, foi eleito, em 2011, o Melhor Museu Português pela 
Associação Portuguesa 
de Museologia

Lucília Monteiro

11. Museu do Papel, Santa Maria da Feira

Encaixado sobre uma ribeira e tendo o som da água a correr como banda sonora, o Museu do Papel ocupa dois antigos engenhos. São mais de 300 anos de trabalho visíveis em dois núcleos expositivos (Do Engenho à Fábrica e da Floresta ao Papel), apresentados como se se tratasse de uma fábrica em laboração. “Nunca deixamos de ser uma fábrica com máquinas em atividade”, diz o diretor, Marques da Silva. Durante séculos, o ritmo de máquinas, o cheiro do papel e o som da água moldaram os gestos dos operários papeleiros. Atualmente, no museu, uma vez por mês, repete-se esse trabalho, para repor o stock de papel e mostrar como é feito o papel pardo. Além de acompanhar todo o processo de fabrico, o visitante pode pôr o papel no espande (lugar onde o papel seca), fazer cartuchos ou entrar no turno da noite (o que só acontece uma vez por ano, a 20 maio). R. de Riomaior, 338, Paços de Brandão > T. 256 370 850 > ter-sex 9h30-17h, sáb-dom 14h30-17h30 > €1,50 (visita guiada €3)

O Museu da Chapelaria, em São João da Madeira, possui um acervo de 
cerca de três mil chapéus. Só o 
colecionador Daniel Serra Vaz doou mais de 500

O Museu da Chapelaria, em São João da Madeira, possui um acervo de 
cerca de três mil chapéus. Só o 
colecionador Daniel Serra Vaz doou mais de 500

D.R.

12. Museu da Chapelaria, São João da Madeira

Já não há lufa-lufa de ambiente fabril, mas as vivências estão cá todas. São mais de três mil, os modelos de chapéus oriundos de todo o mundo, sendo o acervo composto, em grande parte, por doações. O Museu da Chapelaria abriu em 2005, ocupando o edifício da antiga Empresa Industrial de Chapelaria, em São João da Madeira. Entre máquinas, ferramentas e matérias-primas, nas quais é possível tocar e cheirar, o dia a dia da fábrica está representado em sete áreas diferentes, envolvendo todo o processo de confeção. Como não há lugar para todos, os chapéus vão sendo trocados na sala da coleção permanente, de tempos a tempos. Ali podemos ver o chapéu da polícia inglesa, o modelo cowboy de J.R. Ewing, da série Dallas, os belíssimos exemplares de Maria Helena Knott, a assistente de Calouste Gulbenkian, além de algumas centenas de modelos do Museu do Traje, que ali se encontram depositados. Antes de terminar a visita, numa das bancadas, continua a trabalhar a dona Deolinda, que partilha “o saber fazer” e as histórias de outros tempos, sem perder de vista o acabamento de chapéus (que podem, aliás, ser adquiridos na loja do museu). Segundo Suzana Menezes, a diretora do museu, depois de observar a mão de obra envolvida na confeção dos chapéus, os visitantes nunca mais dizem que “os chapéus são caros.” Além da coleção permanente, o museu tem centro de documentação, cafetaria e sala de exposições temporárias que, a 20 de maio, vai receber uma mostra dos designers espanhóis Pablo y Mayaya. À saída, levam-se coladas à pele as fibras, o cheiro de tintos, o barulho de máquinas, as vivências deste mundo moldado por mãos hábeis. R. Oliveira Júnior, 501, S. João da Madeira > T. 256 201 680 > ter-sex 9h-12h30, 14h-18h, sáb 10h-13h, 14h-18h, dom-fer 10h30-12h30, 14h30-18h > €2

No Blandy's Wine Lodge, no Funchal, as visitas guiadas acabam com uma prova de Madeira, que só pode ser produzido a partir das castas Tinta Negra, Sercial, Verdelho, Terrantez, Bual e Malmsey

No Blandy's Wine Lodge, no Funchal, as visitas guiadas acabam com uma prova de Madeira, que só pode ser produzido a partir das castas Tinta Negra, Sercial, Verdelho, Terrantez, Bual e Malmsey

D.R.

13. Blandy's Wine Lodge, Funchal, Madeira

As árvores de sumaúma do Jardim Municipal do Funchal são, pelo seu porte e características, uma distração para quem se dirige até à Blandy's Wine Lodge pela Rua de São Francisco. Mas, assim que se entra neste anexo de um antigo mosteiro franciscano do século XVII convertido em adega, ficam esquecidas. É nos sótãos do edifício, com um pátio a céu aberto, paredes pintadas de branco e vigas de madeira à mostra, que envelhecem, pelo sistema de canteiro (assentes sobre vigas de madeira elevadas do solo), todos os vinhos Madeira da categoria premium produzidos pela Blandy's Madeira. Para além de funcionar como adega, na Blandy's conta-se a história da família, da empresa, da ilha e do vinho. É isso que se vai descobrindo de sala em sala, através de imagens, painéis explicativos, diversos objetos, utensílios, documentos e relíquias como cartas de Sir Winston Churchill ou uma coleção de rótulos antigos. Av. Arriaga, 28, Funchal, Madeira > T. 291 228 978 > seg-sex 10h-18h30, sáb 10h-13h > a partir de €5,90

A pequena loja da Oficina-Museu de Artesanato, Artes e Ofícios, na ilha de São Miguel, vende sebentas de escola antigas, figuras de Presépio, pegas em croché e muitas outras preciosidades

A pequena loja da Oficina-Museu de Artesanato, Artes e Ofícios, na ilha de São Miguel, vende sebentas de escola antigas, figuras de Presépio, pegas em croché e muitas outras preciosidades

14. Oficina-Museu de Artesanato, Artes e Ofícios das Capelas, São Miguel, Açores

À beira de uma rua, em pequenas letras numa parede de tijolos de cimento, lê-se: “Museu”. Discreta é também a placa: “Oficina-Museu, Artesanato Artes e Ofícios.” Quem chega não imagina o que ali se esconde: a reconstrução de uma praça e de duas ruas, com fachadas açorianas onde se distribuem lojas e recantos de outros tempos, como o sapateiro, o ferreiro, o barbeiro, o relojoeiro, a tipografia, a sala de aula, o fotógrafo, a mercearia… O responsável por tudo isto é Manuel João da Silveira Sousa Melo, antigo professor do ensino básico que abriu este museu etnográfico em 1998, com peças de ofícios dos séculos XIX e XX já desaparecidos. “Dizem-me para não gastar mais dinheiro nisto, mas estou a divertir-me”, conta, apontando para o tear que ainda vai funcionando quando existe quem dele precise. G.L. R. do Loural, 56, Capelas, São Miguel, Açores > T. 296 298 202 > seg-sáb 9h-12h, 13h-18h