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A cada um a sua olaia

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Comecemos pela máxima “Não sejamos possessivos” porque é um sentimento feio, não traz saúde mental e, sobretudo, no caso não faz qualquer sentido. Uma árvore não é um sabonete, não se gasta quando olhamos para ela. Bem pelo contrário – de cada vez que nos demoramos a ver a sua copa ou ramos, ganha mais vida aos nossos olhos.

Acredito nisso desde que passei a estar atenta a uma olaia na curva da saída para Algés/Belém na A5, direção Lisboa-Cascais. Como todas as olaias, ela vai mudando de aspeto ao longo do ano: no verão está verdíssima; vem o outono e troca as folhas por umas vagens espalmadas; e no inverno, reduzida aos ramos retorcidos, parece diminuir de tamanho.

Sei que a primavera está a chegar quando reparo nas suas primeiras flores cor de rosa, umas coisinhas ínfimas, de uns dois centímetros no máximo, mas sempre em pequenos cachos e a saírem diretamente dos ramos. Escrevi na primeira pessoa do singular, mas a verdade é que o primeiro avistamento tem o gozo de um jogo a três: eu mais filhas a ver quem anuncia a novidade.

Há mais de mil olaias na cidade – é aproveitar a primavera para cada um cunhar uma delas de “sua” e nunca mais a perder de vista.