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A que soa o Museu da Música Mecânica?

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A meia hora de Lisboa, perto do Pinhal Novo, concelho de Palmela, o Museu da Música Mecânica dá a conhecer gramofones, fonógrafos, caixas de música e pianos que tocam sozinhos. Tudo para mostrar como se ouvia música no final do século XIX até à década de 30 do século XX. É um dos pequenos grandes 14 museus que, esta semana, fazem o tema de capa da VISÃO Se7e

A imagem icónica do cão Nipper a escutar o som de um gramofone foi pintada por Francis Barraud e deu origem a uma das marcas mais conhecidas da indústria musical a His Master’s Voice, o nome que o artista deu ao quadro

A imagem icónica do cão Nipper a escutar o som de um gramofone foi pintada por Francis Barraud e deu origem a uma das marcas mais conhecidas da indústria musical a His Master’s Voice, o nome que o artista deu ao quadro

Mário João

Visto de fora, não se adivinha o que lá está dentro: cinco salas de exposição com caixas de música, autómatos, realejos, fonógrafos, grafonolas e gramofones. Tudo peças raras e a funcionar, construídas entre finais do século XIX e os anos 30 do século XX. Trata-se de uma coleção privada com mais de 600 peças, propriedade do colecionador e mentor do Museu da Música Mecânica, Luís Cangueiro.

Inaugurado em outubro do ano passado, numa zona rural do Pinhal Novo de nome Arraiados, o Museu da Música Mecânica foi implantado em terreno próprio e ganhou vida com um projeto arquitetónico minimalista da autoria de Miguel Marcelino. “Não estamos assim tão longe de Lisboa, as acessibilidades são boas e descentraliza-se a cultura”, explica Luís Cangueiro. O edifício de linhas retas foi inspirado nas caixas de música e a zona côncava por onde se faz a entrada, nas campânulas dos gramofones. Lá dentro, a magia acontece. Todas as relíquias que Luís Cangueiro foi reunindo ao longo de 30 anos, a maior parte adquirida em antiquários especializados na Europa, estão a funcionar. “Fazemos questão de as pôr a tocar para que as pessoas tenham o privilégio de ouvir música como há 100 anos se ouvia”, diz o colecionador.

A peça mais recente em exposição é uma Jukebox Wurlitzer de 1947, de fabrico americano e, durante a visita, encontramos outras raridades: a Typatune (1930, Inglaterra), uma máquina de escrever que não escreve mas faz melodias, um raro Violino Mills (1912, EUA), já movimentado por corrente elétrica, o enorme Seybold, uma das maiores peças e que junta piano, acordeão e percussão. Há ainda grafonolas, como a que as testemunhas de Jeová utilizavam na década de 30 (funcionava ao alto) ou o modelo americano feito de propósito para os soldados americanos da II Guerra Mundial. Um privilégio para ouvir e ver a meia hora de Lisboa.

Museu da Música Mecânica > Qt. do Rei, R. das Alegrias, Arraiados, Pinhal Novo, Palmela > T. 21 238 1083 > ter-dom 14h30-17h30 > €5, €4 (maiores de 65 anos), €3,50 (3-18 anos), menores 2 anos grátis