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O zoo dos príncipes

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Da primeira vez que passei por aqueles torreões cor de rosa em ruínas venderam- -me sem hesitações: “Isto era o jardim zoológico dos filhos de D. Carlos e D. Amélia.” E eu pus-me logo a imaginar uns meninos saídos do final do século XIX, à marinheiro e com chapéus de palha, o olho arregalado na macacada e passarada então confinadas na Tapada das Necessidades.

Entretanto, li umas coisas e posso escrever que os infantes Luís Filipe e Manuel iam ali com frequência, porventura levados por Calita, a aia. A família real mudara-se para o palácio ainda o mais velho não tinha feito três anos, mas não foi a pensar nele que se mandou vir a bicharada. Os seis torreões tinham sido construídos no tempo do bisavô, D. Fernando II – logo no início do seu casamento com D. Maria II, fizeram-se encomendas de gaiolas de arame amarelo e de canas, e deu-se notícia da chegada de macacos do Brasil e de aves raras de Paris.

Hoje percorre-se a alameda dos lódãos e custa ver o abandono do antigo jardim zoológico real, a contrastar com os vidros novinhos da estufa circular. Mas também se teme a prometida “requalificação” em restaurante com esplanada. Quem vai à tapada na mira do seu enorme relvado virado a poente agradeceria ter uma casa de banho por perto, nada mais.