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Há poesia à solta em Santo Tirso e em São João da Madeira

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O Dia Mundial da Poesia é assinalado a 21 de março, mas já a partir desta sexta, 10, há versos em fábricas e escolas, cafés e ruas nas cidades de Santo Tirso e S. João da Madeira. Manuel Alegre, António Fonseca, Paulo Pires, José Fanha, Júlio Resende e Ana Deus são parte desta história

José Fanha, um dos comissários da Poesia à Mesa, num restaurante a declamar poesia

José Fanha, um dos comissários da Poesia à Mesa, num restaurante a declamar poesia

São palavras de todos e para todos. O Dia Mundial da Poesia acontece a 21 de março, mas é já a partir desta sexta-feira, 10, que, em Santo Tirso e S. João da Madeira, os versos tomam conta das cidades. “A população envolve-se e assume a poesia como coisa sua”, diz José Fanha, poeta e escritor de literatura infanto-juvenil, que é “meia cara” do Poesia à Mesa, em S. João da Madeira. À 15ª edição, esta iniciativa regressa com a Poesia na Corda e a Peregrinação Poética, envolvendo a comunidade que, além de espectadora, produz conteúdos e mensagens.

Segundo o comissário José Fanha, acontece “uma coisa fantástica” que começa com o trabalho nas escolas, grupos culturais, de jovens e idosos, e termina com a peregrinação, a 24 de março. Nessa noite, cerca de 500 pessoas vão juntar-se à romaria, não para rezar, mas para ouvir poesia, das 22 horas à uma da manhã. Para o escritor, Portugal é um país com “muitos bons poetas”. E acrescenta: “A poesia é a língua dos portugueses.”

Paulo Pires é o convidado da Peregrinação Poética, integrada na Poesia à Mesa, em S. João da Madeira

Paulo Pires é o convidado da Peregrinação Poética, integrada na Poesia à Mesa, em S. João da Madeira

No longo programa, há poesia homónima com Júlio Resende e Júlio Machado Vaz (18 mar, sáb, 21h30), poesia declamada por Paulo Pires (24 mar, sex 22h) e um serão poético com Alexandre de Sousa e Luis Guerreiro (25 mar, sáb 22h). A crescer de ano para ano, a Poesia à Mesa envolve, além de bibliotecas, escolas, bares e restaurantes, cada vez mais fábricas, como é o caso da Viarco, da Fepsa e da Evereste, que deixam entrar os versos no local de trabalho. Em S. João da Madeira, a poesia passou a ser parte das conversas, sendo algo que “diz muito à população”, notas José Fanha. Mais uma vez, a palavra será encenada, cantada, recitada e, muitas vezes, servida à mesa, numa “festa notável em que vale a pena participar”, descreve o comissário.

Em Santo Tirso é também com versos que o programa Poesia Livre ocupa a cidade, tendo este ano por tema E o grito se fez verbo. “É uma iniciativa que reflete sobre a situação atual, as migrações, a contestação social e os ideais da sociedade que estão em causa”, adianta o vereador da Cultura, Tiago Araújo. Organizada pela Câmara Municipal, a Poesia Livre vai homenagear o poeta Manuel Alegre, que já muito escreveu sobre a revolta e a contestação social (25 mar, sáb 21h). Entre os convidados encontram-se o ator António Fonseca para apresentar o seu audiolivro Os Lusíadas como nunca os ouviu (21 mar, ter 21h) e Ana Deus com a banda Osso Vaidoso (25 mar, sáb 17h).

Entre concertos, exposições, saraus e muitas palavras declamadas, a cidade muda de figura. Não só pelo concurso de poesia dirigido a escolas e público sénior, bem como pelos versos que tanto podem ser encontrados à solta na rua ou em viagens de comboio e bicicleta. Isso sem esquecer o trilho de histórias no percurso das esculturas contemporâneas ao ar livre (20 mar, seg 14h) ou os versos ao luar no Largo Coronel Batista Coelho (17 mar, sex 22h). Segundo o vereador, este é “um programa vasto que envolve a cidade e toda a população, desenvolvendo o gosto pela poesia”.

Poesia à Mesa > S. João da Madeira > T. 256 200 890 > 10 a 25 mar

Poesia Livre > Santo Tirso > T. 252 833 428 > 10 a 26 mar

Os versos soltam-se na Poesia Livre e viajam entre Santo Tirso e o Porto de comboio

Os versos soltam-se na Poesia Livre e viajam entre Santo Tirso e o Porto de comboio