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Dragoeiros e estrelas

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Abra-se com um aviso que é quase um spoiler: quem assina estas linhas gosta de estar em 2017 mas não gosta menos de sítios onde o tempo parece ter parado, mesmo que perante uma certa degradação do lugar.

Encontrar um tubinho de Bévitine, ainda com os 20 comprimidos de vitamina B1 cristallisée, na mesa de cabeceira de uma velha casa de família faz-nos sorrir. Como faz regressar ao parterre defronte do edifício neoclássico do Observatório Astronómico de Lisboa, na Tapada da Ajuda, por estes dias pouco cuidado e ainda assim a pedir mais uma visita. Reparamos logo que o buxo podia estar mais bem aparado e os caminhos menos cobertos de erva, mas também pensamos que serão raras as pessoas que por ali passam. E porque há dragoeiros à vista sentimo-nos privilegiados mesmo antes de reparar no rio a brilhar lá ao longe.

Estes dragoeiros – só couberam dois na fotografia mas são quatro – não precisam de nada para brilhar. Como os homens bonitos, limitam-se a estar ali à nossa frente prontos a serem olhados. Foram classificados de interesse público (como não?) e, sejam ou não pré-históricos, têm um ar carnudo que não é das plantas deste tempo. Um roteiro dos Dracaena draco L. de Lisboa teria sempre de começar por aqui.