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Casa Sommer, um espaço de memórias

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Uma casa para guardar as histórias que a História de Cascais tem para contar

A fachada mantém-se, como nos antigos postais ilustrados da vila, dignos do Arquivo Histórico Municipal agora ali instalado. Mandada construir no final do século XIX por Henrique Sommer, homem da indústria de origem alemã, a Casa Sommer haveria de tornar-se uma referência. Do edifício em estilo neoclássico, ali entre a Cidadela e a Parada, lugar que chegou a ser o centro mundano de Cascais, pouco se sabe no entanto. Foi residência familiar, ali funcionou, na década de 1960, a Escola Luso-Britânica e, nos anos de 1980, a Casa da Criança. Depois, uma longa lista de herdeiros resultaria em anos de abandono.

Entre o dia em que a Casa Sommer foi adquirida pela Câmara Municipal e a conclusão das obras passaram-se onze anos. Projeto complexo, a exigir uma estrutura que sustentasse paredes e um miolo construído de raiz para se tornar casa do arquivo municipal, com sala de consulta, livraria e área de exposições. Para a abertura foram escolhidos alguns dos seus tesouros. Como o primeiro foral, de 1514, concedido por D. Manuel I, ou o Livro de Posturas, compilado na primeira metade do século XVIII, a juntar as leis que regiam a vida comunitária.

No século XIX a Cidadela torna-se destino da Casa Real – era aqui que a Rainha D. Maria Pia e o Rei D. Luís vinham a banhos – e atrás vem gente rica e com tempo. “Inaugura-se o Teatro Gil Vicente (1869), organiza-se a primeira partida de ténis (1882) e o primeiro desafio de futebol num domingo de outubro de 1888”, conta João Miguel Henriques, chefe da divisão de Arquivos, Bibliotecas e Património Histórico. No piso inferior está a informação que se conhece sobre a Casa Sommer. “Temos apenas o projeto das cocheiras e garagens, onde funcionam agora os serviços do arquivo.” Data de 1897 e foi através de uma notícia de jornal de época que se chegou ao nome do arquiteto. Manuel Ferreira dos Santos, pode ler-se, responsável por outras casas de veraneio em Cascais.

Vedado ao público é o acesso ao corredor subterrâneo que une os dois edifícios e guarda os depósitos do arquivo. “Cerca de um quilómetro e meio de documentos”, calcula João Miguel Henriques, no qual se incluem, por exemplo, os álbuns fotográficos do Hotel Palácio, no Estoril, a mostrar reis e rainhas sem trono que fizeram da Costa do Sol o seu refúgio. Ou ainda o registo municipal de alojamento, onde constam os nomes de Antoine de Saint-Exupéry e Ian Fleming, em exposição até abril ou disponíveis para consulta online, assim se queira conhecer esta e outras histórias de Cascais.

O Arquivo Histórico de Cascais é constituído por 91 fundos de coleção. Da Câmara Municipal, mas também de arquivos pessoais e de associações – recreativas, desportivas, culturais

O Arquivo Histórico de Cascais é constituído por 91 fundos de coleção. Da Câmara Municipal, mas também de arquivos pessoais e de associações – recreativas, desportivas, culturais

Casa Sommer > Av. da República, 132, Cascais > T. 21 481 5489 > seg-sex 9h-17h, sáb-dom, fer 10h-18h > Tesouros do Arquivo Histórico de Cascais > até 2 abr > grátis