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Mundet Factory, a Lx Factory da Margem Sul

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No Seixal, a Mundet Factory já serviu de refeitório aos trabalhadores da maior corticeira do País. Agora, de cara lavada – mas nem tanto – serve comida a toda a gente. E ainda copos, música e exposições

Na zona dos comes, que ocupa metade dos 500 metros quadrados do espaço e mantém o mesmo aspeto fabril, é impossível ignorar as enormes janelas de ferro, viradas para a baía do Seixal

Na zona dos comes, que ocupa metade dos 500 metros quadrados do espaço e mantém o mesmo aspeto fabril, é impossível ignorar as enormes janelas de ferro, viradas para a baía do Seixal

António Bernardo

É melhor começarmos por uma adenda ao título desta peça, ou corrermos o risco de sermos acusados de preconceito em relação ao lado menos badalado do Tejo. Nada disso. A comparação foi feita pela pessoa mais insuspeita, pouco segundos depois de nos abrir a porta da nova Mundet: João Macedo, ex-Masterchef e um dos responsáveis pela recuperação dos refeitórios da fábrica. Conforme nos explicaram, nos anos 1950, um terço dos trabalhadores do distrito de Setúbal pertencia a esta corticeira, que viria a fechar três décadas depois, quando a família catalã, que estava em Portugal desde 1905, deixou tudo para trás. E assim ficou até que os sócios João Macedo e Sérgio Lopes vasculharam nos escombros para encontrarem a decoração ideal para os refeitórios e lhes darem nova utilização, à la Lx Factory (instalada num complexo de fábricas abandonadas, em Alcântara, mantendo o seu aspeto original).

O passado, na Mundet Factory, topa-se nos pormenores. Fixemo-nos, por exemplo, no balcão do bar que é feito com tapete rolante por onde passava a cortiça. Junto às garrafas que dão origem a cocktails de autor, há que reparar numa instalação de rodas dentadas metálicas. A porta de acesso às casas de banho, dá para perceber, também foi recuperada. As bases das mesas, onde assentam tábuas de madeira tosca mas bem tratada, eram as mesmas que estavam aqui quando o refeitório se enchia de trabalhadores.

Nesta primeira sala também haverá exposições (agora, obras de Nuno Perestrelo, um fotógrafo da região). O palco receberá os músicos da margem sul, que fugirão sempre à onda cover ou karaoke – palavra de João Macedo. “Queremos potenciar o que é nosso”, garante.

Passemos à zona dos comes, que ocupa metade dos 500 metros quadrados do espaço e mantém o mesmo aspeto fabril, com decoração a condizer e pé-direito altíssimo. É impossível ignorar as enormes janelas de ferro, viradas para a baía do Seixal. Dois sobreiros tomam conta da zona central e partes do teto são decoradas com a sua folha, para que a cortiça nunca seja esquecida pelas 62 pessoas que podem ali sentar-se numa refeição de partilha. A ementa resulta de uma feliz simbiose entre a predisposição do chefe João Macedo e as exportações da fábrica – ali come-se mundo, salvo seja, e as sobremesas são uma viagem à infância, com churros, algodão doce e pipocas a rematar

Em fevereiro, prometeram-nos, estará pronta a esplanada e o campo de futebol. Para que nada falte e nem seja preciso ir à capital para novas experiências.

António Bernardo

A carta, ao jantar, tem pratos de vários cantos do mundo, desde um italiano provalone a mexilhões belgas ou tacos mexicanos. Ao almoço o menu custa €9,50 e dá direito a uma pizza (por exemplo de farinheira, figos, mel e agrião) ou ao prato do dia (pode calhar ser uma cachupa à moda de São Vicente), mais bebida e café. Ao fim de semana hão de lá ir outros chefes dar um ar da sua graça.

Mundet Factory > Pç. 1º de Maio, Seixal > T. 21 242 5840 > ter-dom 12h-2h > restaurante 12h-15h, 19h-23h

António Bernardo