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Second Home: Sentir-se em casa, a trabalhar

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Abrir as portas. Estar num local confortável. Não se confinar aos colegas da empresa. Pensar no bem-estar de quem trabalha. Eis os princípios do Second Home, o novo “cowork” muito “cool” e com pronúncia inglesa de Lisboa

No Second Home, contam-se lugares para mais de 200 pessoas e a ocupação já está nos 75%, entre portugueses, brasileiros, chilenos, americanos, franceses e suíços. Há desde empresas unipessoais a outras que chegam às 18 pessoas, com áreas de atividade tão diferentes como surf, vinhos, design ou fotografia

No Second Home, contam-se lugares para mais de 200 pessoas e a ocupação já está nos 75%, entre portugueses, brasileiros, chilenos, americanos, franceses e suíços. Há desde empresas unipessoais a outras que chegam às 18 pessoas, com áreas de atividade tão diferentes como surf, vinhos, design ou fotografia

Ainda nem começámos a escrever e já vamos fazer uma promessa. Mesmo tratando-se de um texto sobre o Second Home, um cowork inovador, criado em Inglaterra, em 2014, não haverá referências à Websummit (só desta vez). Mal se passa a porta que dá acesso aos 1300 metros quadrados que desde a semana passada pertencem a quem ali escolheu ter uma secretária, apetece logo criar uma hashtag seguida de um desejo: eu quero trabalhar aqui. E tentamos refrear a inveja que sentimos ao olhar pela janela do lounge quando o Sol se está a pôr, junto à Ponte 25 de Abril. Não fomos a correr para o balcão espelhado do bar apenas por vergonha, porque a media luz a que ficámos sujeitos a isso convidaria. Deste bar hão de sair refeições e copos ao final do dia. Mas trata-se de uma área seleta, onde só podem ir o membros do Second Home (têm um cartão de acesso) e seus convidados. Enquanto se espera pelo tal copo, por uma reunião, ou apenas por um momento de networking, pode pegar-se num livro, das centenas que estão disponíveis nas estantes com estilo. As salas de reuniões são envidraçadas – aqui não há segredos, pelo menos para os olhos. Quer dizer, a zona dos chuveiros (a usar depois de uma corrida, por exemplo) é recatada e ninguém tem nada a ver com isso.

Nesta segunda casa existem mais de mil plantas e um jardineiro vem cuidar delas diariamente. São elas que fazem a divisão entre as mesas (será mais correto usar o singular, porque na realidade a dupla de arquitetos Selgas Cano criou uma espécie de serpente que nunca se separa, embora vá ganhando vários braços ao longo da sala). “Acreditamos que o ambiente verde tem um efeito positivo na nossa vida e que nos ajuda a ter as melhores ideias”, explica Lucy Crook, a gerente do Second Home lisboeta, que tem exatamente o mesmo espírito que o original londrino. Esta é a primeira extensão para fora de Inglaterra, mas a fidelidade aos princípios aplicados por Rohan Silva, ex-assessor de David Cameron, é total. Na área roaming (€150 por mês), as pessoas sentam-se onde quiserem. Até às seis e meia da tarde, porque a essa hora a zona vira estúdio e dão-se aulas de ioga e pilates. Às segundas, cativam-se os membros para corridas organizadas pelas redondezas. Mais tarde, poderá existir meditação ou workshops.

Aqui não há secretárias à hora ou ao dia – a ideia é que floresça uma comunidade e muitas interações entre as pessoas. Ao fundo da área de residentes (€220 mensais), está a nascer o cantinho do sossego, longe dos ecrãs. De lá também se avistam as bancas do mercado e às vezes deve apetecer descer as escadas para comprar uma mão-cheia de laranjas.

Second Home > Mercado da Ribeira > Av. 24 de Julho, Lisboa > seg-dom 24 horas > secondhome.io/lisboa