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Se é para pecar que valha a pena

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Este título cheira à légua a adágio popular, mas perdoem-me a preguiça (se calhar bastaria uma espreitadela ao Google para desfazer a dúvida...) porque, para mim, a frase tem os direitos mais do que adquiridos pela senhora minha tia Carminho.
Gulosa até à última casa, ela é menina para torcer o nariz a um leite creme só por não lhe parecer q.b. açucarado. Os doces, na sua opinião, têm de ser mesmo doces. E a única exceção será por esta altura o bolo rei da Garrett, pastelaria aqui fora de mão porque já nos Estoris.
Numa destas horas do almoço, virei costas ao sol na Praça da Figueira e entrei na Confeitaria Nacional. Queria ver se apanhava um dos seus coelhinhos (que parecem ratos) feitos de pão de ló coberto de doce de ovos, e as orelhas de amêndoa laminada bem espetadas como que a ouvir as nossas preces de dulcíssimos prazeres.
Um coelhinho, como qualquer outro bolo naquela casa, fica um pouco mais caro se for comido à mesa, mas detesto almoçar de pé e queria saborear devagar o seu recheio de manteiga fresca. Estava nisto quando pensei na frase da minha tia, tinha de ser. Já estou como ela: pode a receita de leite creme vir diretamente do livro da minha bisavó (e vem) que a minha resposta há de ser: “Prefiro um coelhinho da Confeitaria Nacional porque, se é para pecar, que valha a pena”