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Parar num jardim a olhar uma burra

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Não seremos muitos a repararmos nela e a culpa é do barulho das luzes. No caso, os demasiados carros estacionados à sua volta, o quiosque Arte Nova que ainda nos anos 70 servia de poiso aos taxistas da Estrela (era telefonar para o 663926) e agora dá apoio a uma esplanada onde se come sushi, e, claro, a concorrência dos elétricos que monopolizam quase todos os olhares na antiga Praça do Convento Novo.

Mesmo ao pé há também a basílica mais o seu terraço que oferece uma panorâmica q.b. alta e dá acesso ao interior da cúpula. São quatro euros para subir 200 degraus em caracol, fica-se à altura dos pombos, xô!, e os que não têm vertigens vão gostar do interior da cúpula vista do zimbório. Mas pare-se primeiro junto à pequena escultura de Costa Motta (tio), uma burra a transportar cestos, mais mulher e criança, na companhia de um lavrador de enxada ao ombro.

Embora dali ao Egito sejam uns bons quilómetros, é mesmo “Sagrada Família” o nome desta escultura de bronze descerrada em 1918, mas é para a burra que apetece olhar (depois de tentar desver a peanha de cimento feiosa e, logo atrás, o lago vazio). Bem pode o jardim chamar-se 5 de Outubro que por ali todos o conhecem por “da burra”, não há hipótese.