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O Museu das Marionetas do Porto mudou de casa

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Da Rua das Flores para a Rua de Belomonte, o museu dos “bonecos” do Porto reabriu com novos vizinhos e outros horizontes

Lucília Monteiro

Era uma vez um lobo, autoproclamado rei da floresta, e um mosquito revoltado com a maldade do “monarca”. Depois de anos a contracenarem juntos, o Lobo Diogo e o Mosquito Valentim, os “bonecos” protagonistas da fábula, abandonam a luta e entram numa cena recriada à janela do novo Museu das Marionetas do Porto, que reabriu, no passado dia 29 de setembro, junto ao Teatro de Belomonte. O público desta fábula é outro, não menos curioso. E observa cada pormenor, do passeio e da varanda.

Estamos no antigo armazém do Teatro de Marionetas do Porto (TMP), alvo de profundas obras para acolher o museu num projeto de José Gigante, o mesmo que, em 1992, desenhou o Teatro de Belomonte e o museu da Rua das Flores, de onde foram forçados a sair. “O arquiteto tem uma grande cumplicidade com a companhia”, salienta a diretora artística do TMP, Isabel Barros. O novo museu tem dois pisos, pátio e horizonte espraiado sobre os telhados da Ribeira e a Ponte Luís I. O olhar cúmplice das marionetas neste “peculiar museu de autor”, muito marcado pelo trabalho de João Paulo Seara Cardoso (1956-2010), está presente em cada uma das 14 produções que o público pode agora rever através das suas personagens. Os “bonecos”, as memórias, os vídeos e muitos adereços de cena de, entre outras, Miséria, a primeira peça a correr mundo, passando por Nada ou o Silêncio de Beckett, Polegarzinho, Macbeth, Os Amigos de Gaspar e Joanica-Puff, contam parte da história do TMP. Se se pretender conhecer mais histórias à volta das personagens e da encenação, existem as visitas, que acontecem uma vez por mês, guiadas por atores que, além de partilharem outras memórias, mostram como se constrói e manipula uma marioneta.

Esta mudança imposta de instalações do Museu das Marionetas do Porto, consequência do prédio da Rua das Flores ter sido vendido, veio trazer “uma relação mais típica e genuína com a vizinhança”, diz Isabel Barros, depois do “choque” inicial. “Não queríamos sair do centro histórico, onde está a identidade portuense, o teatro e os turistas”, justifica. A solução encontrada pela companhia foi converter o antigo armazém que tinha. Ao mesmo tempo, a Câmara Municipal do Porto atribuiu-lhes um apoio financeiro e cedeu-lhes uma sala na Quinta da Bonjóia, em Campanhã, onde vão trabalhar com a comunidade. Uma partilha que acontecerá também em Belomonte. Haverá sempre alguém à janela, na varanda, à porta da tasquinha, do outro lado da rua, a observar o movimento. Sem fios.

Pela primeira vez, o bilhete para assistir a um espetáculo no Teatro de Belomonte dará direito a uma visita gratuita ao novo Museu das Marionetas. A próxima estreia, Nunca, a partir do universo de Peter Pan, encenada e interpretada por Rui Queiroz de Matos, está marcada para 19 de novembro.

Museu das Marionetas do Porto > R. de Belomonte, 61, Porto > T. 22 010 2224 > seg-dom 11h-13h, 14h-18h > €2 a €3,50