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Uma pérola no arsenal

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Por aqui não há falta de imaginação para títulos. Há, isso sim, vontade de que quem passa os olhos por esta croniqueta fixe o que é mais importante. E que comece por guardar na memória um nome – Mercearia Pérola do Arsenal – para usar no dia em que tiver tempo para ir até ao número 92 da Rua do Arsenal cobiçar os ingredientes que imaginamos estarem em vias de extinção. A saber: tripa seca, sardinha salgada, raia seca, carapau seco, corvina salgada seca, atum sangacho e rabinhos de atum, e, nos bacalhaus, línguas, caras, bochechas (de salmoura), badanas, samos, rabos inteiros e cachaços.
Desta lista vão dizer-me que só mesmo a tripa seca (de bovino, acrescente--se) é que estará para desaparecer em Lisboa – não consta que haja matança do porco por aqui nem gente a querer sujar as mãos a fazer alheiras e outras delícias. Mas eu venho preparada com mais uns ingredientes que vi à venda nesta mercearia, pronta a ganhar na contagem de espingardas: milho médio para xerém, alho para bifes (laminado e seco, com louro) e cebola moída.
Se ao ler isto o caro leitor ainda não ganhou apetite para pôr o avental de cozinha, pelo menos fixe só mais uma coisa: de todas as lojas que tinham bacalhau à porta na Rua do Arsenal, sobra quase nada. É aproveitar para lá ir enquanto não são ocupadas por souvenirs.