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Aqui há memórias para todos nós

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Crónica Por Lisboa

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Quando se entra na sala hexagonal da Biblioteca Municipal de São Lázaro, na Rua do Saco, a um pulo do Hospital de S. José, é inevitável: sente-se o tempo a andar para trás e apetece sorrir. Sorrir e ficar por ali, já agora, nem que seja preciso inventar uma vontade urgente de ler as primeiras páginas de um livro ou folhear um jornal ou uma revista.
Inaugurada a 5 de agosto de 1883, esta é a biblioteca pública mais antiga da cidade. Para nos situarmos na época, escreva-se que, uns meses depois de ela abrir portas, Robert L. Stevenson publicava A Ilha do Tesouro e Nova Iorque via a soprano sueca Christine Nilsson estrear a Metropolitan Opera House. Mas o acontecimento que pôs a agência Reuters a despachar telegrama atrás de telegrama foi a erupção do vulcão Krakatoa, na longínqua Indonésia, que matou mais de 36 mil pessoas. A última explosão, ao quinto dia de erupções, produziu o ruído mais forte da História da Humanidade.
Passados 133 anos e uns pós, a sala mantém as mesmas estantes de madeira a toda a volta, o mezanino, as diminutas escadas em caracol. E boas cadeiras onde sabe bem espreitar a coleção Memórias de Outras Infâncias (livros infantis e juvenis editados em Portugal entre 1883 e 1979) para sonhar com aventuras em terras longínquas e piratas.