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No Festival Todos, os outros também somos nós

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Surpreender a comunidade da Colina de Santana, em Lisboa, tornando os imigrantes espectadores, é o objetivo da oitava edição do Festival Todos, que começa esta quinta-feira, 8, e se prolonga até domingo, 11

Os franco-marroquinos N3rdistan levarão ao Jardim do Torel música do mundo, centrada na poesia árabe, tocada com instrumentos africanos como kora e flauta peul

Os franco-marroquinos N3rdistan levarão ao Jardim do Torel música do mundo, centrada na poesia árabe, tocada com instrumentos africanos como kora e flauta peul

Cécile Cellerier

Novo circo, música, teatro, dança, poesia, fotografia e arte urbana – à boleia das artes contemporâneas descobrem-se as praças, jardins, igrejas, hospitais, palácios e galerias da Colina de Santana, em Lisboa, de 8 a 11 de setembro.“Queremos surpreender quem mora e trabalha no bairro. Vamos começar a desenvolver a relação dos imigrantes de primeira ou de segunda geração, que moram na Grande Lisboa, com o festival. Eles não têm de ser só os artistas, queremos que sejam cúmplices da plateia multicultural”, diz Miguel Abreu, diretor do Todos, que, este ano, tem como tema “Surpreender o Quotidiano”. Do projeto faz parte a permanência de três anos em cada território. Um primeiro ano de perceção, um segundo de consolidação e um último para deixar material novo nos bairros, como já aconteceu no Intendente, no Martim Moniz e no Poço dos Negros.

Uma das novidades desta oitava edição são as atuações ao ar livre, nos jardins do Torel e do Campo Santana, com destaque para dois concertos de composições de fusão, estreias absolutas em Portugal. N3rdistan (10 set, sáb 22h30, Jardim do Torel) junta música do mundo, centrada na poesia árabe, tocada por músicos franco-marroquinos com instrumentos africanos como kora e flauta peul. Já Violons Barbares (11 set, dom 18h, Capela do Hospital dos Capuchos) mistura música francesa antiga trabalhada com sons da Mongólia e música tradicional da Bulgária. Produzida pelo Largo Residências, a Orquestra Latinidade (8 set, qui 22h30, Jardim do Torel), composta por músicos de várias nacionalidades que moram em Portugal, estreia-se no Todos.

E porque a fusão também se aplica à gastronomia, este ano, haverá cozinheiros amadores da China, Nepal, Paquistão, Índia, Bangladesh, Cabo Verde e Angola nas Cozinhas Paraíso (9-11 set, sex, dom 19h-21h, 21h30-23h30, sáb 19h-21h), montadas dentro de um palacete na Rua Gomes Freire, n.º 98, ao lado da Academia Militar. “São um misto de um filme, do realizador Tiago Leão, que andou a filmar várias cozinhas de famílias estrangeiras em Lisboa, com a realidade. Em cada uma das sete salas poderemos estar a ver um filme sobre uma cozinha do Bangladesh, ou uma senhora francesa a servir comidas africanas”, descreve Miguel Abreu.

Os belgas da Companhia Laika trazem o seu Piknik Horrifik, um espetáculo com jantar incluído (8-11 set 20h, Antigo Quartel GNR, Lg. Cabeço da Bola). Trata-se de um banquete teatral inspirado no quadro O Jardim das Delícias, de Hieronymus Bosch. “Trabalham plasticamente os alimentos, tornando um salmão azul ou fazem rostos com pastas de atum que o público depois vai comendo”, exemplifica Miguel Abreu. Frente a frente estarão temas tão atuais como a obscenidade do excesso e a escassez. “Pela primeira vez, apostamos num maior número de espetáculos em simultâneo, entre quatro e cinco, para satisfazer mais espectadores”, anuncia Miguel Abreu. Não há como falhar.

Piknik Horrifik trata-se de um banquete teatral inspirado no quadro O Jardim das Delícias de Hieronymus Bosch, que porá frente a frente temas como a obscenidade do excesso e a escassez

Piknik Horrifik trata-se de um banquete teatral inspirado no quadro O Jardim das Delícias de Hieronymus Bosch, que porá frente a frente temas como a obscenidade do excesso e a escassez

Laika

Festival Todos > Vários locais da Colina de Santana e do Campo Mártires da Pátria > 8-11 set, qui-dom