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Salineiro por um dia no Samouco

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Fomos às Salinas do Samouco, em Alcochete, ver como se “faz” o sal, sem refinamentos ou purificação. A atividade é aberta ao público e repete-se este sábado, 6

A Marinha do Canto foi recuperada para a produção de sal

A Marinha do Canto foi recuperada para a produção de sal

José Caria

Eduardo ensina os filhos de 4 e 7 anos a manusear o rodo. Até parece que já tinha experiência na rapação, mas é a primeira vez que pega no instrumento de madeira que serve para juntar o sal que se forma nas marinhas. Valeram as explicações de João Matias, o último salineiro do Samouco, mas, em boa verdade, tem jeito para a coisa. Eduardo vem de Setúbal, integrado num grupo de visita às salinas. O dia começou com um passeio guiado de cerca de 5 quilómetros pelos trilhos do complexo e que incluiu a observação de flamingos, pernilongos, do borrelho-de-coleira-interrompida e da chilreta, algumas das aves que aqui nidificam, atraídas pela abundância de alimento. Ao final da manhã, o grupo concentra-se na Marinha do Canto, recentemente recuperada para a produção de sal, e vai aprendendo um pouco mais sobre esta arte que por aqui ainda é totalmente artesanal.

A Casa do Engenho guarda a roda hidráulica do século XVIII, totalmente recuperada e movida a energia solar, que permite bombear a água em excesso dos tanques cristalizadores

A Casa do Engenho guarda a roda hidráulica do século XVIII, totalmente recuperada e movida a energia solar, que permite bombear a água em excesso dos tanques cristalizadores

José Caria

Pás de madeira, rodos e outras ferramentas usadas para a rapação do sal

Pás de madeira, rodos e outras ferramentas usadas para a rapação do sal

José Caria

Com uma área de 360 hectares, as salinas do Samouco foram, entre as décadas de 1930 e 1970, o principal centro salineiro da região de Lisboa. Daqui saía o sal em barcos para a salga do bacalhau, na distante Terra Nova, ou para os armazéns, no Cais do Sodré, para ser consumido na capital. “Foi sempre muito procurado pela sua qualidade”, conta João Matias, filho de salineiro e responsável pela produção. “Depois, o mercado foi inundado pelo sal que vinha de França e Itália, de menor qualidade mas mais barato, e as salinas foram sendo gradualmente abandonadas”, justifica. Também da Sociedade Nacional de Armadores de Bacalhau, uma das três fábricas de secagem e preparação de bacalhau que existiam em Alcochete e situada à entrada do complexo, resta apenas o edifício.

Num dos tanques cristalizadores, a última fase do processo, João retira um pouco de água com o pesa-sais. Marca 27 graus na escala de Baumé, o que significa que a concentração de sal é de 270 gramas por litro de água. Bem mais do que no Mar Morto. Estivesse a água a um metro de altura e estaríamos a flutuar. “Depois de rapado, é feito o pião na baracha, onde o sal fica a secar durante 5 a 6 dias”, explica, de seguida. Que é como quem diz, é posto em montes na divisória que separa os tanques. Depois, segue para o armazém para ser ensacado e vendido, na maioria aos restaurantes de Alcochete e a quem visita as salinas (também enviam pelo correio, aqui fica a dica). Com o sol quase a pique, a fome aperta e ao grupo de Setúbal vai saber mesmo bem sentar-se à sombra, nas mesas do Parque de Merendas, inserido no complexo, e retemperar forças. Nós, infelizmente, é que não levámos farnel.

Além da produção de sal, nas Salinas do Samouco aproveitam-se outros produtos da Natureza que são depois comercializados. A camarinha e caranguejo são vendidos como alimento ao Oceanário de Lisboa. Alguns dos tanques maiores mantêm-se com água onde cresce algum peixe que é depois vendido aos restaurantes à volta. Nas Salinas dos Samouco também há uma criação de burros mirandeses

Rapação de Sal > Salinas do Samouco > Alcochete > T. 21 232 8070 / 92 798 4440 > 6 ago, 9h30 > €5