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Que bem que se está lá fora: 5 novas zonas verdes da Grande Lisboa

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Ver os pavões (e pavonear-se, porque não?) nos Jardins de São Bento, beber um cocktail na Academia de Golfe de Lisboa ou fazer um piquenique com vista para o Tejo, na Quinta dos Remédios, em Loures. Chegou o verão e, com ele, a nossa vontade de conhecer as novas zonas verdes

Na Amadora, o Parque da Juventude existe uma pista de 300 metros

Na Amadora, o Parque da Juventude existe uma pista de 300 metros

José Carlos Carvalho

Parque da Juventude

Não é fácil encontrar o Parque da Juventude, inaugurado em setembro, na freguesia da Venteira, na Amadora. Para lá chegar, precisamos de seguir as indicações da Escola Secundária da Amadora e procurar nas suas traseiras as árvores, ainda jovens, que assinalam o parque. A pista de 300 metros ali disponível, dependendo da condição física ou vontade de cada visitante, pode ser percorrida num passo acelerado de corrida ou noutro mais lento. Nos 6 mil metros quadrados do Parque da Juventude existem ainda 12 máquinas para exercício físico, cada uma com um painel informativo: no ski simples, trabalha-se a musculatura dos membros inferiores e superiores, no volante, melhora-se a mobilidade das articulações dos braços, e no Surf, a zona abdominal e lombar, só para dar alguns exemplos. Para se usufruir da melhor forma desta área, aconselha-se o uso de roupa e calçado confortáveis e creme protetor solar (as sombras são quase inexistentes por ali). Para momentos de pausa, o anfiteatro e os bancos de jardim são um bom poiso para descansar.

Ideal para apreciadores de caminhadas, corridas e exercício físico.

Junto à Av. D. José I e Av. D. Carlos, Venteira, Amadora

A Quinta dos Remédios, com 4,3 hectares, está aberta ao público há seis meses

A Quinta dos Remédios, com 4,3 hectares, está aberta ao público há seis meses

Quinta dos Remédios

Loures, século XVIII. Imagine-se uma antiga quinta de produção agrícola com casa senhorial, lagar, poço com nora, tanque de rega e laranjal. Ao fundo, o rio Tejo de então é o mesmo de agora, só a presença de contentores, de quilómetros de ponte a ligar a outra cidade (Alcochete) mostram a passagem do tempo. Até 1901, estes 16 hectares tinham vinha, olival e terras de semeadura. Hoje, mais de um século depois, o olival mantém-se e é um local privilegiado para se fazer um piquenique. Estique-se a toalha axadrezada em cima da caruma e desfrute-se dos petiscos trazidos no cesto à sombra. Aberto à população há seis meses, o parque da Quinta dos Remédios, com 4,3 hectares, tem um circuito de manutenção que é possível percorrer a correr, a andar ou de bicicleta e aparelhos de ginástica, próprios para o ar livre. A meio da tarde, de um dia de semana, alguns seniores exercitavam braços e pernas, enquanto os mais novos trepavam a rede tridimensional, em forma de pirâmide. A zona de merendas, com oito conjuntos de mesas e bancos e casas de banho, poderia ser mais agradável se a cafetaria funcionasse em pleno. Ouvimos dizer que quem trata dela são os escuteiros da paróquia, mas que só abrem quando lhes apetece para servir umas sanduíches e sumos (e é pena, dizemos nós). Esperemos que quando o futuro centro de ciência e tecnologia abrir, uma parceria entre a autarquia e o Instituto Superior Técnico, a quem pertence o terreno desde 2011, o problema da cafetaria esteja bem resolvido. Faz toda a diferença.

Bom para fazer um piquenique, entre as sombras do olival, com vista para a Reserva Natural do Estuário do Tejo e para a Ponte Vasco da Gama até Alcochete.

R. D. Afonso Henriques, Bobadela, Loures > T. 21 115 0348 > abr-out 7h-20h, nov-mar 7h-17h

A esplanada da Academia de Golfe de Lisboa atrai mesmo os que não gostam de jogar golfe

A esplanada da Academia de Golfe de Lisboa atrai mesmo os que não gostam de jogar golfe

Luís Coelho

Academia de Golfe de Lisboa

O novo campo de golfe do centro da capital, com bons acessos a partir da Praça de Espanha ou do Eixo Norte/Sul, tem seis hectares de green. Além do campo de jogo curto (pitch & putt), com seis buracos em vez dos mais comuns de nove ou 18, o driving range com 42 saídas é ideal para “bater umas bolas” (€2, 24 bolas). Apesar de existirem quatro zonas de restauração muito apetecíveis, o bom tempo pede ar livre. E a esplanada da Academia de Golfe de Lisboa vale muito a pena. Os dados estão lançados, mas desengane-se quem pensar que é preciso ser um expert das tacadas para frequentar o local. Basta ter apetite e vontade de relaxar. Diferente de outras clubhouses, o restaurante GolfSpot serve desde comida japonesa e internacional ao brunch aos domingos (12h-16h30. €25, €12,50/7–12 anos) com pão, scones, crepes, panquecas, compotas caseiras, frutas, ovos mexidos, salgados, saladas, prato quente de peixe e de carne. Outras opções são a salada César (€10,50), pastas e risottos (€14), filetes com açorda de coentros (€14,50) ou bochechas de porco preto com puré de batata (€15), cheeseburger para as crianças (€6), degustação japonesa (€25), gyosas (€6,75), tataki de atum (€9,60), combinados de sushi to sashimi (desde €12,50) e um final doce com farófias (€4) ou bolo de chocolate (€5,10). Para ir em família, sozinho ou com um livro, o importante é ir.

Simpático para uma pausa no meio da cidade, ler um livro e comer uma tapa com uma cerveja (€2,50) ou um cocktail (€5, 18h-20h).

Azinhaga das Galhardas, Estádio Universitário de Lisboa > T. 21 796 0108 (golfe), 96 934 0713 (restaurante) > Academia: seg 12h-20h, ter-dom 8h-20h > Restaurante: seg 12h-18h30, ter-qui 10h-23h, sex-sáb 10h-24h, dom 10h-18h > alugar 1 taco (€2, 1 hora), dar duas voltas ao green fee (€6)

O pinhal da Aldeia do Juso foi remodelado e tem agora várias novidades, como o circuito de manutenção com algumas máquinas

O pinhal da Aldeia do Juso foi remodelado e tem agora várias novidades, como o circuito de manutenção com algumas máquinas

José Carlos Carvalho

Pinhal da Aldeia de Juso

No bairro da Chesol, na Aldeia de Juso, o antigo pinhal esteve em vias de desaparecer para dar lugar a mais prédios de habitação. O terreno, ladeado por algumas vivendas geminadas, escapou desse fim trágico, acabando por se transformar numa nova zona verde do concelho de Cascais. Tem a honra de ter o primeiro pomar comunitário, um projeto da autarquia que pretende criar hortas comunitárias e, junto delas, pomares, vinhas ou olivais. Por esta altura, as laranjeiras, limoeiros, figueiras e tangerineiras ainda não dão fruto, e os talhões da horta também não estão em plena produção, embora os seus utilizadores estejam a trabalhar para isso (como pudemos comprovar). Diga-se, porém, que, nestes 13 mil metros de área rodeados de pinheiro manso, há muito mais do que “trabalho”. O novo desenho paisagístico aproveitou a vegetação já existente e acrescentou-lhe uma pequeníssima zona relvada, um campo de jogos tradicionais (petanca ou malha, por exemplo) e ainda um circuito de manutenção com algumas máquinas. Para os menos ativos, existem as sombras das copas frondosas – altamente recomendáveis. Debaixo delas, sentados nos bancos de madeira, pode ler-se um livro, conversar ou fazer um piquenique (há mesas e bancos corridos de cimento e pintados de branco). Se o objetivo for brincar, o Pinhal da Aldeia de Juso também é um bom destino. Entre os troncos de alguns pinheiros, há várias teias de aranha para os mais pequenos treparem e, numa outra zona, uma parede de escalada, decorada com o poema Recomeça, de Miguel Torga: “Não descanses. De nenhum fruto queiras só metade. E, nunca saciado, vai colhendo ilusões sucessivas no pomar...”. Ora bem.

Ideal para quem gosta de ler ao livre, rodeado de hortas e árvores de fruto.

Entre a R. Chesol, R. Luís de Camões e R. Roque Gameiro, Aldeia de Juso, Cascais

Abriram a 5 de junho os Jardins do Palacete de São Bento

Abriram a 5 de junho os Jardins do Palacete de São Bento

José Carlos Carvalho

Jardins do Palacete de São Bento

Para se entrar nos jardins de São Bento, na Residência Oficial do Primeiro-Ministro, é preciso passar por um controlo de segurança semelhante a um aeroporto. A partir dali, percorrem- -se livremente os cerca de dois hectares que vão desvendando pelo caminho as esculturas de mármore Meditação, de Leopoldo Almeida (1939), e a de D. Afonso Henriques, de João Cutileiro (2000), e também as placas em ferro e aço polido do Monumento ao 25 de Abril, de José Pedro Afonso. Este espaço verde, aberto desde 5 de junho (dia em que recebeu 443 visitas), poderá agora ser visitado todos os domingos. Aqui, encontram-se muitas palmeiras, árvores de grande porte, glicínias, borboletas e pavões – sabia que o lugar preferido dos pavões são os dois painéis intervencionados pela Galeria Arte Urbana e pelo Lab 65, que ali ficaram desde as últimas comemorações do 25 de Abril? A visita aos jardins que rodeiam o Palacete de São Bento, mandado construir em 1877 por Joaquim Machado Cayres, revela, ainda, um detalhe curioso: a mesa em pedra, onde se diz que António de Oliveira Salazar – que ali viveu entre maio de 1938 até à sua morte a 27 de julho de 1970 – tomava o seu chá. A antiga piscina deu entretanto lugar a um novo deck, em madeira, e foram instaladas grades e acrescentados bancos de jardim, bebedouros e caixotes do lixo, entre outras renovações. Um jardim, no centro de Lisboa, onde ainda se conseguem ouvir os pássaros e ler um livro, tranquilamente.

Apetecível para quem gosta de tranquilidade e de descobrir obras de arte (e pavões pouco envergonhados) no meio dos jardins.

R. da Imprensa à Estrela, 4, Lisboa > dom 10h-18h