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Os 7 melhores Centros Ciência Viva (ou uma forma de tirar as crianças da frente do ecrã)

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Anda à procura de uma forma de os tirar da frente do ecrã nas férias na Páscoa? Medimos a distância entre o Sol e a Terra em Constância, descemos a uma mina no Lousal, visitámos a casa do futuro em Guimarães e descobrimos os cheiros da floresta em Proença-a-Nova. Os Centros Ciência Viva são um grande laboratório para ajudar miúdos e graúdos a compreender o mundo que nos rodeia

1. Fábrica-Centro Ciência Viva de Aveiro
Aqui e acolá, no edifício amarelo da fábrica, na Baixa de Santo António, ainda se avistam memórias dos tempos em que, neste local, se moíam cereais da Companhia Aveirense de Moagens. Desde 2004 que a ciência ocupa o edifício, com o privilégio de este ser gerido pela Universidade de Aveiro recebendo desta instituição toda a componente científica e de investigação. E a prova desta dinâmica é que, ainda na semana passada, o centro foi a Mindelo, inaugurar a segunda Casa da Ciência de Cabo Verde (a primeira abriu, em 2012, na Cidade da Praia), num dos vários “projetos educativos continuados” que extravasam os limites de Aveiro, salienta o diretor da Fábrica, Pedro Pombo. Nas 15 valências deste centro há hologramas, jogos matemáticos, oficinas de robótica, laboratórios de ciência, percorrendo campos como a física, química, biologia ou informática, e que, só em 2015, despertaram a curiosidade de 40 mil visitantes. O desenvolvimento e a comercialização de produtos científicos é outra das valências do centro que, ainda este ano, deverá lançar uma nova exposição relacionada com a tecnologia e abrir uma Dóing, oficina “associada a fazedores e inventores”. Esclarece Pedro Pombo que se trata de “um maker space onde as pessoas se apropriam do espaço e fazem o conteúdo das próprias atividades”.

Fábrica-Centro Ciência Viva de Aveiro > R. dos Santos Mártires, nº 1 A, Aveiro > T. 234 427 053 > ter-dom 10h-18h > €4 a €6, €13 (bilhete família)

2. Centro Ciência Viva do Lousal
É ainda no exterior – de capacete e lanterna na mão, no meio de uma paisagem que mais parece o cenário de um filme, com rochas de vários tons, duas lagoas de águas ácidas (uma vermelha e outra azul) e edifícios industriais – que começamos a explorar o Centro Ciência Viva do Lousal, no concelho de Grândola. “Trata-se do único local onde é possível visitar uma galeria mineira subterrânea”, explica o presidente do Centro, Jorge Relvas. Percorrer esta galeria, que se chama Waldemar e possui 280 metros de extensão, é quase como vestir a pele dos mineiros que ali trabalharam até 1988. No longo corredor, já sem os carris das vagonetes, descobrimos os paiois dos explosivos (onde estes eram guardados por seguranças), os poços, a zona de onde se extraía o minério. Surpreendemo-nos não só com a estrutura de contenção das terras, toda em madeira, e com o peso de algumas ferramentas que eram utilizadas, mas também com a biologia (a galeria tem uma colónia de morcegos) e a geologia do local, explicada por Margarida Oliveira, um dos monitores da casa. A primeira lição está dada. A descoberta prossegue no interior do centro, aqui instalado desde 2010. Através de módulos interativos, quizes vários, manuseamento de materiais e outras atividades, aprende-se a importância da geologia e dos georrecursos. Por exemplo, em Sem Terra Não Há Carochas, ficamos a saber que sem recursos metálicos, não-metálicos e hidrocarbonetos, fornecidos pela Terra, não haveria o Volkswagen Carocha; e, em Banho de Ciência (instalada nos antigos balneários da mina), descobrimos como se distinguem os minerais. Na Home Sapiens – A Ciência Lá em Casa, vamos saber como funciona o ferro de engomar, ou ainda, o que é o bolor. As explicações estão na ciência, não há nenhum segredo. S.L.F

Centro Ciência Viva Lousal > Av. Frédéric Velge, Lousal > T. 269 750 520/22 > ter-dom 10h-18h > a partir de €3,50, até 6 anos grátis, bilhete família a partir de €10

Lucília Monteiro

3. Exploratório Centro Ciência Viva de Coimbra
Sabia que os seres humanos piscam os olhos, em média, 24 vezes por minuto? E que a pressão nos grandes vasos arteriais depende do nível do corpo em que é medida e, por isso, se mede ao nível do coração? Ficamos a conhecer estas e outras informações acerca do corpo humano na exposição permanente do Exploratório, Em Forma com a Ciência, que inaugurou o novo edifício do Centro Ciência Viva de Coimbra, em outubro, depois de ter passado pelo Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Nos 2500 metros quadrados do Exploratório (que agora se divide por dois edifícios), há muito para descobrir e experimentar. Seja qual for a idade do visitante. “O visitante pode passar aqui uma tarde inteira ou mais, a explorar os módulos, sem dar conta do tempo passar”, diz-nos Liliana Gonçalves, assessora deste centro, enquanto nos acompanha pelo “interior” do cérebro, circulação sanguínea, revestimento da pele, sistemas respiratório, reprodutivo e digestivo.
Mas há muito mais para conhecer neste centro, propriedade da universidade e da Câmara Municipal de Coimbra. Na mostra temporária Pordata viva: o Poder dos Dados, desmistificam-se dados estatísticos. E no Hemispherium, três filmes sobre ciência (um quarto está a caminho sobre o universo do matemático Escher) são vistos numa sala com projeção hemisférica. Paulo Trincão, o diretor, deseja projetar este “centro de grande dimensão ao nível da bacia demográfica do centro”. Para ele, “o público familiar é vital” bem como “o turismo de natureza científica”. Daí que às sessões informais entre cientistas e público adulto (as Science Beer Talks), que acontecem uma vez por mês, vão juntar-se outras novidades como sessões de Astronomia para Bebés (aos domingos) ou uma Cabina do Livro Vadio, uma espécie de biblioteca de ciência, ainda em março.

Exploratório Centro Ciência Viva de Coimbra > Rotunda das Lages, Parque Verde do Mondego, Coimbra > T. 239 703 897 > ter-sex 9h30-17h30, sáb-dom 10h-18h > €4 (uma exposição), €12 (bilhete geral)

4. Centro Ciência Viva de Constância
Sentada na cadeira, a paisagem gira depressa, mas este não é um carrossel igual aos outros. Nós somos a Terra que roda sobre si própria, ao mesmo tempo que faz o seu caminho em redor do Sol. Instalado ao ar livre, o Carrossel Telúrico é um dos oito módulos interativos do Centro de Ciência Viva de Constância, que ajuda a compreender os movimentos de rotação e translação do nosso planeta, as fases da Lua e os eclipses. Logo ali ao lado, a representação do sistema solar obriga a fazer contas para calcular a distância de planetas, enquanto que, no grande globo terrestre, se exploram os mares e os continentes. Neste jogo da descoberta do espaço, entra também a matemática e a geografia, até porque na astronomia cabem muitas outras ciências.
Inaugurado em 2004, o centro conta com atividades relacionadas com os programas escolares e adaptadas aos diferentes níveis de ensino. No Laboratório de Heliofísica, olha-se o Sol sem o perigo da observação direta e decompõe-se o espectro solar, para falar dos elementos químicos que vêm na tabela periódica. Já a exposição Física do Dia a Dia, baseada no livro homónimo de Rómulo de Carvalho, propõe 20 experiências relacionadas com a luz e o som que, de forma simples, explicam alguns princípios da Física. A volta só fica completa depois de assistir a uma das sessões diárias no Planetário e de experimentar o Giroscópio, utilizado nos treinos de pilotos e astronautas e que simula uma nave fora de controlo. E porque o melhor se deve guardar para o fim, programe a visita para sábado, dia em que o maior telescópio público do País se aponta ao céu, e deixe-se encantar por planetas, estrelas, constelações e nebulosas que ficam a anos-luz.

Centro Ciência Viva de Constância > Alto de Santa Bárbara, Via Galileu Galilei, 817, Constância > T. 249 739 066 > ter-sex 10h-13h, 14h30-18h; sáb 14h30-18h30, 20h30-22h30; dom 14h30-18h30 > €2 (por área)

5. Centro Ciência Viva da Floresta Proença-a-Nova

Apure o leitor o olfato porque vai precisar dele. O primeiro truque é fechar os olhos, depois concentre-se no cheiro que vem da caixa e só então tente adivinhar os aromas que o campo tem. O desafio faz parte da exposição permanente do Centro de Ciência Viva de Proença-a-Nova, dedicado à temática da floresta. Ali aprende-se o ciclo da água, a distinguir os diferentes tipos de madeira, observando-lhes texturas e cores, e quais os nutrientes de que se alimenta uma árvore. Na grande fatia de pinheiro-bravo contam-se os anéis de crescimento para lhe saber os anos de vida. Somam 110, vividos na mata nacional de Leiria entre 1893 e 2003, ano em que um incêndio lhe ditou o fim. E se a Fábrica do Lápis desperta a curiosidade, já o Formigário é o módulo que atrai as maiores atenções, mostrando, da alimentação à reprodução, como vivem as formigas (não é brincadeira: sabia que as formigas têm casa de banho?).
Desde a sua abertura, a 21 de julho de 2007, o centro “já ultrapassou os 100 mil visitantes”, contabiliza a diretora Edite Fernandes, “mas tem procurado trazer ainda mais pessoas”. Para tal apostou-se na área exterior, onde além de um parque infantil e de uma zona de merendas, há uma estufa e uma Floresta da Ciência para explorar, despertando assim outros sentidos.

Centro Ciência Viva da Floresta Proença-a-Nova > E.N. 241, Moitas, Proença-a-Nova > T. 274 670 220 > ter-dom 9h30-18h30 > até 2 anos grátis, 3-14 anos €2, adultos €3, €6 (bilhete família)

Mário João

6. Centro Ciência Viva de Sintra

Em frente ao ecrã interativo, um grupo de alunos tem como missão parar a infeção. As mãos no ar simulam o antibiótico e o objetivo é apanhar todas as bactérias. Mas atenção, nem todas são más e até vivem no nosso corpo, ajudando ao seu funcionamento. Só temos é que as manter no devido lugar e não deixar que se desenvolvam. Por isso é tão importante lavar sempre as mãos depois de ir à casa de banho ou escovar os dentes três vezes ao dia. Lição estudada para a turma do 1.º ano que veio de visita ao Centro Ciência Viva de Sintra, a funcionar há quase dez anos no edifício da antiga Garagem dos Elétricos. Para além da exposição Resistir: Quando as Bactérias Sobrevivem aos Antibióticos, que por aqui vai ficar até final de setembro, puderam ainda experimentar alguns dos módulos interativos como o Espelho Mágico, com direito a muitas gargalhadas, ou a Malha Musical, onde vale tudo menos desafinar. E não fosse esta uma manhã de chuva, a visita terminaria lá fora, para ver como funciona uma nora e o que acontece ao repuxo de água do tanque, alimentado por um painel solar.

Centro Ciência Viva de Sintra > R. Carlos de Oliveira Carvalho, 19, Ribeira de Sintra > T. 21 924 7730 > ter-sex 10h-18, sáb-dom 11h-19h > até 5 anos grátis, 6-17 anos €2,50, adulto €3,50, €9 (bilhete família)

Rui Duarte Silva

7. Curtir Ciência – Centro Ciência Viva de Guimarães

Entrar no último Centro Ciência Viva a inaugurar no País, o vigésimo, que em dezembro abriu em Guimarães, é como andar no tempo. À medida que percorremos as salas das várias casas em pedra, com janelas em ripados de madeira, da antiga Fábrica de Curtumes Âncora, onde outrora se curtiam e secavam as peles, entramos também num futuro tecnológico onde há robots a desconstruir cubos mágicos, a dar tacadas de golfe ou casas inteligentes com a televisão a ser comandada com um simples aceno. Os sete módulos do Curtir Ciência (comunicação, domótica, robótica, museu, engenharia civil, reciclagem, realidades virtuais) tanto nos põem a “comunicar” com Marte ou Vénus, percebendo a demora das comunicações espaciais e a distância das ondas eletromagnéticas, como nos ensinam que podemos controlar remotamente o funcionamento dos eletrodomésticos. Em breve, entram em funcionamento os laboratórios de robótica e de engenharia química, em parceria com a Universidade do Minho, e, ainda este ano, deverá abrir um novo módulo de reciclagem virado para a matéria orgânica, em parceria com o Centro de Valorização de Resíduos. Sérgio Silva, o diretor do Curtir Ciência, lembra que “ainda é cedo” para fazer uma estimativa de visitantes. Nos últimos dois meses, receberam 1200 pessoas e a recente parceria feita com a Junta da Galiza faz antever um aumento de estudantes do secundário oriundos do lado de lá da fronteira.

Curtir Ciência - Centro Ciência Viva de Guimarães > R. da Ramada, 166, S. Sebastião, Guimarães > T. 253 510 830 > ter-sex 10h-18h, sáb-dom 11h-19h > €2,50 (3-5 anos), €3 a €3,50 (> 6 anos), €9 (bilhete família)

  • Ver, experimentar e aprender nos Centros Ciência Viva

    Sair

    Os Centros Ciência Viva têm ensinado novas (e velhas) gerações a explorar e a imaginar - com criatividade e sem medos. Talvez tenham vindo, mesmo, a contribuir para o aumento do número de jovens cientistas no nosso País. No tema de capa da VISÃO Se7e desta semana, visitámos os sete melhores Centros Ciência Viva, que está agora a comemorar duas décadas de existência