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Já reabriu o Museu do Carro Elétrico do Porto e, pela primeira vez, podemos ver a sala das máquinas dos anos 30. Haverá melhor presente para celebrar os 100 anos do edifício?

O Museu do Carro Elétrico do Porto funciona no edifício da antiga Central Termoelétrica de Massarelos que está a comemorar 100 anos
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O Museu do Carro Elétrico do Porto funciona no edifício da antiga Central Termoelétrica de Massarelos que está a comemorar 100 anos

Lucília Monteiro

Na exposição Entre Linhas: a reinvenção de um lugar conta-se a evolução da rede de tração elétrica do Porto
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Na exposição Entre Linhas: a reinvenção de um lugar conta-se a evolução da rede de tração elétrica do Porto

Lucília Monteiro

O espólio do museu é constituído por 26 elétricos, mas só 17 fazem parte da nova exposição
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O espólio do museu é constituído por 26 elétricos, mas só 17 fazem parte da nova exposição

Lucília Monteiro

Na mostra estão patentes os elétricos de trabalho que transportavam, por exemplo, as canastras de peixe da lota para a cidade
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Na mostra estão patentes os elétricos de trabalho que transportavam, por exemplo, as canastras de peixe da lota para a cidade

Lucília Monteiro

O aluguer de elétricos para festas e outros eventos tem sido cada vez mais recorrente
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O aluguer de elétricos para festas e outros eventos tem sido cada vez mais recorrente

Lucília Monteiro

A abertura ao público da Sala das Máquinas, o "coração do edifício", é uma novidade
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A abertura ao público da Sala das Máquinas, o "coração do edifício", é uma novidade

Lucília Monteiro

Há máquinas da década de 30 que funcionavam em plena Segunda Guerra Mundial
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Há máquinas da década de 30 que funcionavam em plena Segunda Guerra Mundial

Lucília Monteiro

Réplica do edifício executada por um ex-trabalhador, onde não faltam as respetivas máquinas no interior
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Réplica do edifício executada por um ex-trabalhador, onde não faltam as respetivas máquinas no interior

Lucília Monteiro

De longe, quando espreitamos a nave central, as mudanças não saltam logo à vista. Os elétricos estão alinhados como estavam antes de o museu fechar, em 2013, devido à urgência na recuperação da cobertura do edifício, que agora comemora 100 anos. Aqui funcionou durante décadas a Central Termoelétrica de Massarelos, construída para produzir energia que alimentava os elétricos (e não só). Mas as alterações são grandes. A começar, na entrada, pela receção e loja renovadas, com direito a bengaleiro e casas de banho modernizadas. Reaberto a 28 de novembro, o Museu do Carro Elétrico terá, talvez, tantas histórias para contar quantos os anos do edifício - como a do elétrico Fumista (o 315) que assim se chamava por permitir a abertura da janela para que os passageiros pudessem fumar.

Mas sigamos viagem pelo "novo" museu. Manuela Ribeiro, diretora, e Carla Dias, curadora da exposição, explicam-nos que a tal nave central que avistámos da entrada alberga 17 elétricos que contam a história da evolução deste transporte. Depois das obras na cobertura e do reforço estrutural do edifício foi necessário repensar a exposição anterior. Agora, em Entre Linhas: a reinvenção de um lugar viajamos desde o tempo em que o transporte público era feito com tração animal (o americano, de 1872) ao primeiro elétrico sobre carris da Península Ibérica, de 1895 (o 22). A segunda fase, a partir da década de 30, descreve o crescimento do elétrico que, nesta época, se alargou aos limites do concelho do Porto (S. Pedro da Cova e Ermesinde num extremo, Matosinhos no outro). "Nesta época era o carro do povo. Trazia os trabalhadores das áreas limítrofes para trabalharem no centro da cidade, muito longe dos tempos em que transportava apenas a alta burguesia", descreve Carla Dias. Entre os 17 elétricos – que serão renovados entre os 26 que constituem a coleção do museu – constam a Zorra (fazia o transporte de carvão) e os de trabalho que traziam, por exemplo, as canastras de peixe da lota.

A Sala das Máquinas, onde antes se distribuía a energia para as diferentes subestações, está agora aberta ao público. "Era o coração do edifício. Um painel importantíssimo para o controlo de energia", lembram as responsáveis. Recorde-se que, na década de 1920, a capacidade de produção energética da Central permitia alimentar parte da cidade do Porto, a iluminação pública da zona ribeirinha e a ponte Luís I. As máquinas mais antigas em exposição datam dos anos 30 e funcionaram durante a Segunda Guerra Mundial. Quando se visita esta sala do edifício, projetado em 1915 pelo engenheiro Couto dos Santos, é impossível não reparar na maqueta feita por Joaquim Leorne, um antigo trabalhador eletricista, já falecido, que, com enorme perícia, reproduziu todo o funcionamento da antiga central. A renovação do museu custou um milhão de euros (70% da verba comparticipada pelo QREN) e pretende-se abrir, no futuro, uma cafetaria e uma sala para festas de aniversário.

Museu do Carro Elétrico > Alameda Basílio Teles, 51, Porto > T. 22 615 8185 > seg 14h-18h, ter-dom 10h-18h > €8 (adultos), €4 (>6 anos)